O ator britânico Tim Curry, que imortalizou o cientista Dr. Frank-N-Furter em “The Rocky Horror Picture Show”, morreu na noite de 25 de agosto de 2026, aos 80 anos. A notícia foi confirmada por seus representantes nesta terça-feira. Segundo o comunicado, Curry faleceu em sua casa em Toluca Lake, Los Angeles, e a causa da morte ainda não foi revelada.
Apesar de ter sofrido um grave AVC em 2012 que o deixou em uma cadeira de rodas, o ator se manteve ativo, principalmente com trabalhos de dublagem. Sua atuação transgressora em “The Rocky Horror Picture Show” (1975), no entanto, foi o que o consagrou, redefinindo os limites do teatro musical e da representação de gênero.
No papel de Frank-N-Furter, Curry apresentou ao público um “doce travesti da Transilvânia Transexual”. Sua performance era uma mistura explosiva de rock, ficção científica e comédia de horror. Com maquiagem carregada, espartilho e meia-calça, ele desafiou diretamente as noções de masculinidade vigentes nos anos 1970.
Sua interpretação não era apenas sobre figurino. Curry entregou uma performance carismática e sem amarras, celebrando a fluidez de gênero e a liberdade sexual de uma forma nunca antes vista no cinema comercial. O ator usou o corpo e a voz para criar uma figura complexa, que era ao mesmo tempo ameaçadora e cativante.
Impacto cultural duradouro
A influência de “The Rocky Horror Picture Show” transformou o filme em um fenômeno cult. As sessões interativas, onde o público canta, dança e recria cenas, criaram uma comunidade para pessoas que se sentiam à margem da sociedade. O filme se tornou um espaço seguro para a experimentação e a celebração da individualidade.
O personagem de Curry virou um símbolo de autoaceitação e da quebra de padrões. Sua ousadia abriu caminho para novas formas de expressão artística, influenciando gerações de atores, músicos e artistas performáticos que vieram depois dele. A liberdade que ele demonstrou no palco e na tela incentivou discussões importantes sobre identidade.
Apesar da força de Frank-N-Furter, a versatilidade de Curry se estendeu a outros papéis memoráveis. Ele aterrorizou o público como o palhaço Pennywise na minissérie “It: Uma Obra-Prima do Medo” (1990) e encarnou a escuridão como o Lord of Darkness em “A Lenda” (1985), mostrando um alcance impressionante.
Sua carreira consolidou um legado de coragem artística, provando que a performance pode ser uma poderosa ferramenta de questionamento e transformação social.










