A campanha Setembro Amarelo de 2026, com o lema “Escutar é estar presente”, joga luz sobre uma ferramenta poderosa e acessível para a saúde mental: a escuta ativa. Praticar esse cuidado dentro de casa, no ambiente familiar, pode transformar relações e oferecer um suporte real a quem precisa, sem a necessidade de grandes discursos ou soluções complexas.
O conceito vai além de apenas ouvir as palavras que são ditas. Trata-se de oferecer atenção plena, acolhimento e validação aos sentimentos do outro. Criar esse ambiente seguro é fundamental para que um familiar se sinta à vontade para compartilhar suas angústias, medos e incertezas, sabendo que não será julgado ou interrompido.
Incorporar a escuta ativa no dia a dia fortalece os laços e constrói uma rede de apoio sólida. É um gesto que comunica cuidado e mostra que a pessoa não está sozinha em suas dificuldades. Muitas vezes, o que alguém precisa não é de um conselho, mas de um espaço para ser ouvido com empatia e respeito.
Setembro Amarelo: como praticar a escuta ativa em família
Adotar pequenas mudanças na forma de se comunicar pode fazer uma grande diferença. Confira algumas atitudes práticas para um diálogo mais acolhedor:
- Esteja presente de verdade: quando alguém começar a falar, deixe o celular de lado, desligue a televisão e direcione seu foco totalmente para a pessoa. A linguagem corporal, como o contato visual, também sinaliza que você está interessado e dedicado àquele momento.
- Ouça para compreender, não para responder: a tendência natural de muitos é já formular uma resposta ou um conselho enquanto o outro ainda fala. Esforce-se para silenciar essa voz interna e absorver o que está sendo compartilhado. O objetivo principal é entender a perspectiva do outro.
- Evite julgamentos e soluções imediatas: frases como “não fique assim” ou “você deveria fazer tal coisa” podem invalidar o sentimento da pessoa. Em vez de tentar resolver o problema, ofereça acolhimento com expressões como “imagino como isso deve ser difícil” ou “estou aqui para te ouvir”.
- Faça perguntas abertas: para incentivar a pessoa a se aprofundar no que sente, use perguntas que não possam ser respondidas com um simples “sim” ou “não”. Pergunte “como você se sentiu com isso?” em vez de “você ficou chateado?”.
- Respeite o silêncio: pausas na conversa são normais e, muitas vezes, necessárias para que a pessoa organize os pensamentos e sentimentos. Não se apresse em preencher cada momento de silêncio. Apenas permaneça presente e espere que ela retome a fala quando se sentir confortável.
Lembre-se que, em momentos de crise, buscar ajuda profissional é fundamental. O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional e prevenção do suicídio, de forma voluntária e gratuita, 24 horas por dia, pelo telefone 188 ou pelo site cvv.org.br.










