A grande repercussão de casos envolvendo transplantes de coração costuma despertar a atenção do país e gerar dúvidas sobre como funciona a fila de transplantes no Brasil. Diferente do que muitos imaginam, o processo é gerenciado pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), do Ministério da Saúde, e segue critérios técnicos rigorosos, que não levam em conta a condição financeira ou social do paciente.
A chamada “fila única” é, na verdade, um grande cadastro de pessoas que aguardam por um órgão. Esse sistema não funciona como uma fila indiana, em que o próximo a receber é simplesmente quem está há mais tempo esperando. Então, a organização é feita por estado, tipo de órgão e compatibilidade sanguínea.
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Quando um órgão se torna disponível, um programa de computador busca no cadastro os receptores mais compatíveis com o doador. A partir daí, uma lista de potenciais pacientes é gerada e a equipe médica avalia quem tem a maior prioridade com base em critérios técnicos.
Segundo o Ministério da Saúde, serão aceitos para inscrição em lista de espera de coração os potenciais receptores:
- Portadores de insuficiência cardíaca em Classe III NYHA – pacientes com marcada limitação da atividade, confortáveis apenas em repouso ou IV NYHA – incapaz de fazer qualquer atividade física sem desconforto; e quando é iniciada qualquer atividade física agrava o desconforto; e
- Portadores de arritmias consideradas malignas, com sintomas incapacitantes ou com alto risco de morte em um ano e sem a possibilidade do emprego de outros métodos terapêuticos clínicos ou cirúrgicos.
Quais são os critérios para a fila?
A ordem na lista de transplantes é definida principalmente pela urgência e pela compatibilidade entre doador e receptor. O tempo de espera funciona mais como um critério de desempate entre pacientes com condições médicas semelhantes.
Os principais fatores considerados são:
Gravidade do paciente: pessoas em estado crítico, com risco iminente de morte, têm prioridade absoluta. No caso do coração, por exemplo, pacientes que precisam de aparelhos para manter o sangue circulando estão no topo da lista.
Compatibilidade: inclui o tipo sanguíneo e outros fatores médicos que garantem uma menor chance de rejeição do órgão. Mas a compatibilidade genética também é avaliada em alguns tipos de transplante, como o de medula óssea.
Questões logísticas: a localização do doador e do receptor também é importante. Um coração, por exemplo, tem poucas horas para ser transplantado após a retirada, o que exige uma logística rápida e eficiente.
Então, o maior desafio do sistema continua sendo o número de doações. No Brasil, a doação de órgãos só ocorre com a autorização da família do paciente com morte encefálica confirmada. Por isso, a conversa sobre o desejo de ser um doador é fundamental. A decisão final é sempre da família.







