Ver a Itália fora da Copa do Mundo tornou-se algo assustadoramente comum. A ausência nos Mundiais de 2018 e 2022 acendeu um alerta máximo para o futebol do país, tetracampeão mundial, que vive sob o fantasma de uma crise que parece não ter fim.
O vexame histórico marcou a segunda vez consecutiva que a seleção italiana, uma das mais tradicionais do planeta, não participou do maior torneio de futebol. A pergunta que ecoa entre torcedores e analistas é uma só: o que deu errado? A resposta não está em um único fator, mas em uma combinação de problemas que se arrastam há anos.
A falta de renovação
Um dos principais motivos para o declínio é a dificuldade na renovação de talentos. A geração campeã em 2006 demorou a dar espaço para novos nomes, criando um vácuo que não foi preenchido com a mesma qualidade. As categorias de base dos clubes italianos parecem ter perdido a capacidade de revelar craques em série como no passado.
Além disso, a Série A, principal campeonato do país, tem cada vez menos espaço para jovens jogadores locais. Muitos clubes preferem investir em atletas estrangeiros já formados, o que acaba por limitar o desenvolvimento de futuras estrelas para a seleção nacional.
Problemas táticos e de identidade
O estilo de jogo italiano também passa por uma crise. O tradicional “catenaccio”, sistema defensivo que marcou época, já não se mostra tão eficaz no futebol moderno. A equipe parece dividida entre manter a solidez defensiva e adotar um estilo mais ofensivo e criativo, sem se destacar em nenhum dos dois.
A conquista da Eurocopa em 2021 (torneio adiado de 2020) pareceu um breve oásis em meio ao deserto. O título mascarou problemas estruturais que voltaram a aparecer logo em seguida, culminando na trágica eliminação para a Macedônia do Norte na repescagem para a Copa do Catar.
A pressão e o fator mental
O peso da camisa azul é outro fator considerável. A pressão por resultados imediatos sobre uma geração que não tem as mesmas referências do passado cria um ambiente de instabilidade. O fracasso em jogos decisivos virou um roteiro recorrente, onde o nervosismo e a falta de poder de decisão ficam evidentes nos momentos mais importantes.








