A Operação Diamante de Sangue, deflagrada em 1º de abril de 2026 pela Polícia Civil da Bahia, que bloqueou R$ 13,6 milhões de um financiador de furtos a joalherias, revelou a complexa engrenagem usada por quadrilhas para transformar joias e relógios de luxo roubados em dinheiro limpo. O esquema vai muito além do crime inicial, envolvendo uma série de etapas para disfarçar a origem ilícita dos valores e inseri-los no sistema financeiro como se fossem legítimos.
De acordo com as investigações da Polícia Civil, o processo não é simples e exige uma rede organizada. Para os criminosos, o maior desafio é converter bens físicos de alto valor em capital que possa ser usado livremente sem levantar suspeitas das autoridades financeiras. Cada etapa é pensada para quebrar o rastro que conecta o dinheiro ao crime original.
O passo a passo do crime
Tudo começa com a atuação de grupos especializados em furtos a joalherias, que miram peças de alta liquidez, como relógios de marcas famosas e joias com pedras preciosas. Esses itens são mais fáceis de transportar e revender discretamente.
Após o roubo, as peças passam por um processo conhecido como “esquente”. Nele, os criminosos removem números de série, criam certificados de autenticidade falsos ou desmontam as joias para vender as pedras e o metal separadamente, dificultando a identificação dos produtos como roubados.
Com uma aparência legal, os itens são vendidos de diferentes formas. Eles podem ser repassados a receptadores, joalheiros corruptos ou comercializados em plataformas online e redes sociais para compradores que buscam preços mais baixos. Em muitos casos, as peças são enviadas para o exterior.
Como o dinheiro é ‘limpo’
A venda gera grandes volumes de dinheiro em espécie, que precisam entrar no sistema bancário. Uma das táticas mais comuns é o uso de “laranjas”, pessoas que emprestam suas contas para receber depósitos fracionados. Os valores são pequenos para não ativar os alertas automáticos dos bancos.
Outra estratégia é a criação de empresas de fachada. Negócios que não existem de fato, como firmas de consultoria ou de organização de eventos, emitem notas fiscais falsas para justificar a entrada do dinheiro como pagamento por serviços que nunca foram prestados.
Recentemente, as criptomoedas se tornaram uma rota importante. Os criminosos compram ativos digitais com o dinheiro sujo, transferem os valores entre várias carteiras para dificultar o rastreamento e, por fim, os convertem novamente em moeda corrente em outro país, já com aparência de legalidade.
Finalmente, o dinheiro já “limpo” é usado para comprar bens de alto valor, como imóveis e veículos de luxo, ou aplicado em investimentos legítimos. Essa última etapa consolida a lavagem, misturando de vez o capital ilícito com a economia formal.






