A greve de caminhoneiros, que ameaçava parar o país em março de 2026, foi descartada pelas lideranças da categoria. O recuo ocorreu após o governo federal editar a Medida Provisória 1.343/2026 e novas resoluções da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), atendendo a pautas históricas do setor e estabelecendo um diálogo direto.
A decisão veio após uma assembleia decisiva em Santos (SP), que deu um prazo de sete dias para o governo apresentar soluções concretas. Em resposta, as medidas publicadas criaram mecanismos mais rígidos para a fiscalização do piso mínimo do frete, um dos principais pontos de insatisfação que remontam à paralisação de 2018.
O que motiva a insatisfação?
Apesar do recuo na paralisação, as reivindicações da categoria são antigas e refletem os desafios estruturais do transporte rodoviário de cargas no Brasil. Entenda os pontos centrais que motivaram a mobilização:
- Tabela do frete: a principal queixa é a falta de fiscalização e o não cumprimento do piso mínimo. Os caminhoneiros pedem um reajuste que acompanhe a inflação dos insumos e mecanismos mais rígidos para garantir seu pagamento, o que foi parcialmente atendido pelas novas resoluções.
- Preço do diesel: as constantes altas no valor do combustível corroem a margem de lucro. A categoria pede uma política de preços mais previsível. Em negociação, o governo zerou o PIS/Cofins sobre o diesel e estabeleceu um gatilho de reajuste automático na tabela quando a variação do preço superar 5%.
- Condições de trabalho: a falta de segurança nas estradas e a precariedade dos pontos de parada e descanso são problemas antigos. Os motoristas cobram mais investimentos em infraestrutura e policiamento.
- Aposentadoria especial: a categoria busca o reconhecimento da atividade como perigosa, o que garantiria regras mais brandas para a aposentadoria, pauta que segue em discussão no Congresso.
Como a greve foi evitada?
A negociação avançou com medidas concretas. A Resolução 6.078 da ANTT impede a emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) se o frete estiver abaixo do piso. Já a Resolução 6.077 estabelece sanções progressivas às empresas infratoras. Para garantir a aplicação, o governo anunciou um aumento de 2.000% no número de operações de fiscalização nas estradas.
Lideranças sindicais afirmaram que, com o diálogo restabelecido e as pautas sendo atendidas, não há motivo para greve no momento, embora a categoria permaneça mobilizada. O fato de 2026 ser um ano eleitoral aumentou a pressão política por uma solução rápida para evitar um colapso logístico que afetaria toda a cadeia produtiva do país.










