A recente demonstração de empatia do apresentador Tadeu Schmidt, que durante o BBB 26 revelou a perda de seu irmão Oscar Schmidt ao consolar uma participante que havia perdido o pai, trouxe à tona uma questão delicada: como lidar com a dor da perda no ambiente de trabalho? A realidade do luto, que muitas pessoas enfrentam, exige sensibilidade tanto de quem está enlutado quanto dos colegas e da liderança. Navegar por esse período é um desafio que mistura a necessidade de privacidade com as demandas profissionais.
Especialistas em saúde mental e recursos humanos recomendam algumas práticas para este momento delicado. O luto é um processo individual, sem regras ou prazos definidos, e a forma como cada um reage à perda de um ente querido varia. No contexto corporativo, onde se espera produtividade e foco, a vulnerabilidade pode parecer fora de lugar. No entanto, ignorar o impacto emocional da perda pode agravar o sofrimento e prejudicar a saúde mental do colaborador a longo prazo.
Criar um espaço de acolhimento é o primeiro passo para lidar com o tema de forma saudável. Isso envolve tanto ações individuais dos colegas quanto políticas estruturadas por parte da empresa. O diálogo aberto e o respeito aos limites de quem está sofrendo são fundamentais para que a pessoa se sinta segura para atravessar esse momento.
Para quem está passando pelo luto
- Comunique seus limites: não hesite em comunicar ao seu gestor e colegas próximos o que você precisa. Seja claro se prefere falar sobre o assunto ou se precisa de espaço. Definir limites ajuda a evitar situações desconfortáveis.
- Permita-se sentir: é natural que seu rendimento e concentração diminuam. Não se cobre para ser produtivo como antes. Se possível, tire a licença-luto (a CLT garante até 2 dias consecutivos em caso de falecimento de familiar direto, mas algumas empresas oferecem períodos maiores) e, ao retornar, pegue leve nas primeiras semanas.
- Busque apoio na empresa: verifique se a organização oferece algum tipo de suporte, como atendimento psicológico ou programas de bem-estar. Conversar com o setor de Recursos Humanos pode abrir caminhos para um retorno mais gradual e assistido.
Como colegas e empresas podem ajudar
- Ofereça apoio prático: em vez de apenas dizer “meus pêsames”, ofereça ajuda concreta. Pequenos gestos, como auxiliar em uma tarefa acumulada, cobrir uma reunião ou simplesmente levar um café, podem fazer grande diferença.
- Tenha escuta ativa e evite clichês: se o colega quiser conversar, ouça sem julgamentos. Evite frases feitas como “ele está em um lugar melhor” ou “você precisa ser forte”, pois nem sempre confortam e podem soar invasivas.
- Crie um ambiente seguro: as empresas podem desenvolver políticas de licença-luto mais flexíveis e treinar lideranças para oferecer um acolhimento humano. Promover uma cultura que valorize a saúde mental é essencial para que o colaborador não se sinta desamparado.










