As pesquisas de intenção de voto do Datafolha se tornam um dos principais termômetros da política brasileira, especialmente em anos eleitorais. Para entender a relevância desses números, é fundamental conhecer a metodologia rigorosa por trás da coleta e análise dos dados, que busca refletir o cenário de forma precisa e confiável.
O processo se baseia em um método estatístico que combina ciência, tecnologia e trabalho de campo. Tudo começa com a definição de uma amostra representativa da população brasileira com 16 anos ou mais, utilizando como base os dados mais recentes do Censo Demográfico e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), ambos do IBGE.
Como a amostragem é definida?
A seleção dos entrevistados não é aleatória no sentido amplo. O instituto cria um “espelho” da população, garantindo que o grupo de pessoas ouvidas tenha a mesma proporção de características da sociedade brasileira. Para isso, são consideradas variáveis como:
- Região geográfica do país;
- Gênero;
- Faixa etária;
- Nível de escolaridade;
- Renda familiar mensal.
Com essa amostra desenhada, que geralmente conta com 1.000 a 2.500 entrevistados, as cidades que receberão os pesquisadores são sorteadas. Em cada município, são definidos pontos de grande fluxo de pessoas, como praças, ruas comerciais e terminais de transporte, onde as entrevistas ocorrerão. Os entrevistadores abordam os cidadãos de forma aleatória nesses locais, seguindo cotas para bater as metas de perfil (idade, gênero, etc.).
Margem de erro e nível de confiança
As entrevistas são realizadas presencialmente com o auxílio de tablets, que enviam as respostas em tempo real para uma central. Após a coleta, os dados são ponderados para corrigir eventuais pequenas distorções e garantir que a amostra final corresponda com exatidão ao perfil da população. Todas as pesquisas eleitorais são obrigatoriamente registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde o público pode consultar a metodologia, o questionário e quem contratou o levantamento.
Dois conceitos são cruciais para interpretar os resultados. A margem de erro indica a variação máxima que os números podem ter para mais ou para menos. Se um candidato aparece com 30% das intenções de voto e a margem é de dois pontos percentuais, seu resultado real está entre 28% e 32%.
Já o nível de confiança, geralmente de 95%, mostra a probabilidade de que os resultados da pesquisa reflitam a realidade dentro da margem de erro estipulada. Isso significa que, se 100 pesquisas fossem realizadas com a mesma metodologia, 95 delas apresentariam resultados dentro dessa margem.










