Com a divulgação de novos levantamentos eleitorais, as pesquisas de intenção de voto por telefone se tornam um dos principais termômetros do cenário político, uma metodologia que ganhou força no Brasil a partir das eleições de 2018. Institutos como a Quaest utilizam essa abordagem para mapear a opinião dos eleitores em todo o Brasil, mas muitas pessoas ainda se perguntam como esses estudos são feitos e se são confiáveis.
O processo de uma pesquisa eleitoral começa bem antes das ligações. Ele é baseado em um método científico que busca criar um retrato fiel da população votante do país, garantindo que os resultados sejam representativos e precisos.
Como a amostra é selecionada?
Diferente do que se pode imaginar, as ligações não são aleatórias. O processo utiliza uma técnica chamada amostragem estratificada. Para isso, os institutos usam dados públicos de órgãos como o IBGE e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para traçar um perfil detalhado do eleitorado brasileiro.
Essa amostra considera variáveis como gênero, faixa etária, nível de escolaridade, renda familiar e localização geográfica (estado e tipo de município). O objetivo é montar um “microcosmo” da população, garantindo que todos os grupos sociais estejam representados de forma proporcional ao seu tamanho real no país.
Para realizar as entrevistas, os institutos contatam números de telefones fixos e celulares. A coleta de dados pode ser feita de duas formas principais. A primeira é o método CATI (Entrevista Telefônica Assistida por Computador), no qual um entrevistador humano faz as perguntas. A outra é a URA (Unidade de Resposta Audível), um sistema automatizado com perguntas gravadas, e o eleitor responde digitando números no teclado do telefone.
O que é a margem de erro nas pesquisas de intenção de votos?
Toda pesquisa de opinião possui uma margem de erro, que representa a variação estatística esperada nos resultados. Se um candidato aparece com 30% das intenções de voto e a margem é de 2 pontos percentuais, seu resultado real está entre 28% e 32%.
Isso acontece porque o levantamento ouve apenas uma pequena parte da população, e não todos os eleitores. Junto à margem de erro, há o nível de confiança, geralmente de 95%. Isso significa que, se a mesma pesquisa fosse feita 100 vezes, em 95 delas o resultado estaria dentro da margem estipulada.
As diferenças entre resultados de pesquisas de institutos distintos também são comuns. Elas podem ocorrer por pequenas variações na metodologia, no período em que as entrevistas foram feitas ou na forma como os dados são ponderados para ajustar a amostra à realidade demográfica. É importante notar que as pesquisas telefônicas são distintas de enquetes online, cuja metodologia para garantir a representatividade da amostra ainda é tema de debate entre especialistas.
É fundamental lembrar que uma pesquisa de intenção de voto é um retrato do momento. Ela não prevê o resultado final de uma eleição, mas indica as tendências e o humor do eleitorado em um período específico, sendo uma ferramenta importante para analisar o cenário político.








