As pesquisas eleitorais, como as realizadas por institutos como Gerp, Datafolha, Quaest e Ipec, funcionam como um retrato do momento político do país. Elas buscam refletir a opinião de milhões de eleitores a partir de uma amostra representativa da população. Para isso, utilizam uma metodologia científica que permite medir a intenção de voto e a avaliação de governos com precisão estatística.
O processo começa com a definição do público-alvo, que são os eleitores de uma determinada cidade, estado ou de todo o Brasil. Como é impossível entrevistar todas as pessoas, os institutos selecionam um grupo menor, chamado de amostra, que deve espelhar as características da população total.
Como a amostra é definida?
A escolha dos entrevistados não é aleatória. Para garantir que a amostra seja um microcosmo fiel do eleitorado, os institutos de pesquisa utilizam dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com base nessas informações, a seleção é estratificada por cotas.
Isso significa que o grupo de entrevistados terá a mesma proporção de homens e mulheres, faixas etárias, níveis de escolaridade e renda, além de distribuição geográfica que a população total. Por exemplo, para uma amostra de 2.000 pessoas em uma cidade onde 52% dos eleitores são mulheres, os pesquisadores entrevistarão 1.040 mulheres para manter a proporcionalidade.
Margem de erro e nível de confiança
Dois conceitos são fundamentais para entender uma pesquisa: a margem de erro e o nível de confiança. A margem de erro indica a variação máxima esperada nos resultados para mais ou para menos. Se um candidato tem 40% das intenções de voto e a margem de erro é de dois pontos percentuais, seu resultado real pode variar entre 38% e 42%.
Já o nível de confiança, que no padrão mais comum do mercado é de 95%, significa que há 95% de probabilidade de que o resultado real da eleição esteja dentro dessa margem. Em outras palavras, se a mesma pesquisa fosse feita 100 vezes, em 95 delas os resultados estariam dentro do intervalo delimitado pela margem de erro. Embora este seja o padrão, alguns estudos podem utilizar níveis de confiança ligeiramente diferentes.
Coleta e análise dos dados
Com a amostra definida, os pesquisadores vão a campo. As entrevistas podem ser feitas presencialmente, em pontos de fluxo populacional, ou por telefone. Um questionário estruturado é aplicado para garantir que todos respondam às mesmas perguntas, evitando qualquer tipo de viés nas respostas.
Após a coleta, os dados passam por um processo de ponderação. Essa etapa serve para ajustar qualquer pequena distorção na amostra e garantir que o perfil dos entrevistados corresponda exatamente ao do eleitorado. Só então os resultados são compilados e divulgados ao público.









