A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 ganhou força no Brasil, impulsionada por uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio de 2026, em dois turnos. Para o setor produtivo, especialmente nos segmentos de comércio e serviços, a mudança acende um alerta vermelho. A principal preocupação de empresários é o impacto financeiro e operacional que a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, com duas folgas, pode causar.
Empresários argumentam que a alteração aumentaria diretamente os custos com a folha de pagamento. Com a mesma remuneração, os funcionários trabalhariam menos horas, elevando o valor da hora de trabalho. Para cobrir os turnos, especialmente em negócios que funcionam nos fins de semana, como restaurantes, supermercados e lojas de shopping, seria necessário contratar mais pessoal.
Aumento de custos e impacto na operação
A matemática apresentada pelas associações comerciais é direta: a necessidade de mais funcionários para manter a operação em pleno funcionamento levaria a um aumento significativo das despesas. Esse custo adicional, segundo as lideranças do setor, poderia ser repassado aos preços dos produtos e serviços, gerando um efeito inflacionário que afetaria o consumidor final.
Além disso, a gestão de equipes maiores e mais complexas traria novos desafios operacionais. A adaptação das escalas para garantir a cobertura contínua dos serviços exigiria um planejamento logístico robusto, algo que pode ser particularmente difícil para pequenas e médias empresas, que representam a maior parte dos negócios no país.
Risco de demissões e informalidade
Outro ponto de grande preocupação é o risco de desemprego. Diante da impossibilidade de arcar com os novos custos, muitas empresas poderiam optar por reduzir seu quadro de funcionários para equilibrar as contas. A medida, que visa beneficiar o trabalhador, poderia, na prática, levar à perda de postos de trabalho em setores que são grandes empregadores.
O setor produtivo também alerta para um possível crescimento da informalidade. Para contornar as novas regras e evitar os custos elevados, alguns empresários poderiam recorrer a contratações sem carteira assinada, precarizando as relações de trabalho e reduzindo a arrecadação de impostos.
Aprovada na Câmara com uma votação expressiva — 472 votos a favor no primeiro turno e 461 no segundo —, a PEC estabelece um período de transição de 14 meses para a implementação das novas regras. O texto agora segue para análise e votação no Senado Federal.








