Um forte terremoto que atingiu a costa do Pacífico do México nesta quinta-feira (17) acendeu um alerta global e trouxe de volta uma dúvida comum para os brasileiros: um tsunami pode atingir o nosso litoral? A resposta é sim, mas a probabilidade é muito baixa. Diferente de países localizados no Círculo de Fogo do Pacífico, como o próprio México, Chile e Japão, o Brasil possui uma condição geográfica que o protege da maioria dos eventos capazes de gerar ondas gigantes.
O principal fator de segurança é a localização do país no centro da Placa Sul-Americana. Essa posição nos afasta das zonas de subducção, onde placas tectônicas se encontram, colidem e geram os terremotos mais intensos do planeta. A maior parte da atividade sísmica mundial ocorre nessas bordas, o que explica por que o Brasil raramente sente tremores de terra significativos.
No entanto, o risco, embora remoto, não é zero. Existem cenários que poderiam resultar em um tsunami na costa brasileira, e eles são constantemente monitorados por agências nacionais e internacionais.
Quais são os riscos reais para o Brasil?
Dois eventos principais são considerados fontes de maior preocupação. O primeiro seria um forte terremoto em uma área específica do Oceano Atlântico, como a região do Caribe ou a Dorsal Mesoatlântica, uma cadeia de montanhas submersa que corta o oceano. Um sismo de alta magnitude nesses locais poderia deslocar um volume de água suficiente para gerar ondas que viajariam em direção ao nosso litoral.
A segunda possibilidade, e mais discutida, envolve um evento não sísmico: o colapso de parte do vulcão Cumbre Vieja, nas Ilhas Canárias, pertencentes à Espanha. Um grande deslizamento de terra do vulcão para o mar poderia provocar um megatsunami. As ondas cruzariam o Atlântico e chegariam à costa Norte e Nordeste do Brasil em um período estimado entre seis e nove horas.
Para monitorar essas ameaças, o Brasil conta com um sistema de monitoramento e alerta de tsunami, operado pela Marinha do Brasil em conjunto com outras instituições. Esse sistema utiliza dados de sensores, boias oceânicas e estações sismográficas para vigiar a atividade no Atlântico 24 horas por dia.
Se um evento com potencial para gerar um tsunami é detectado, os dados são analisados em minutos. Caso o risco seja confirmado, um alerta é enviado para a Defesa Civil Nacional. A partir daí, as autoridades locais são acionadas para iniciar os protocolos de evacuação das áreas costeiras que poderiam ser afetadas.









