Dois ataques de tubarões no Grande Recife em menos de 48 horas, que resultaram em ferimentos graves a um menino na Praia de Piedade e a uma jovem na Praia de Boa Viagem, acenderam um alerta sobre a segurança nas praias brasileiras. Os incidentes, ocorridos no início de junho de 2026, somam-se a um histórico preocupante na região: foram os quartos ataques do ano, elevando para 84 o número de registros em Pernambuco desde 1992, sendo Boa Viagem a praia com mais ocorrências (25). Diante deste cenário, a tecnologia avança globalmente com soluções inovadoras para monitorar e afastar esses predadores, buscando um equilíbrio entre a proteção dos banhistas e a preservação da vida marinha.
Métodos tradicionais, como as redes de proteção, são cada vez mais questionados pelo impacto ambiental. Elas frequentemente capturam e matam outras espécies, como tartarugas, golfinhos e até mesmo tubarões que não representam risco. Por isso, novas abordagens menos invasivas ganham espaço em diversas partes do mundo.
Como a tecnologia ajuda a evitar ataques de tubarões
Países como Austrália e África do Sul, que também registram alta incidência de encontros com tubarões, lideram o desenvolvimento de ferramentas de ponta. As inovações vão desde a vigilância aérea até barreiras que funcionam como um “escudo” invisível na água. As principais soluções em uso ou em teste atualmente são:
- Drones de vigilância: equipados com câmeras de alta resolução e, em alguns casos, inteligência artificial, esses equipamentos sobrevoam as praias para identificar a presença de tubarões perto da costa. Ao localizar um animal, a equipe em terra é acionada imediatamente para alertar os banhistas.
- Sonares inteligentes: instalados no fundo do mar, sonares podem detectar a movimentação de animais de grande porte em tempo real. A tecnologia usa ondas sonoras para identificar o formato e o tamanho do animal, diferenciando um tubarão de outros seres marinhos e enviando alertas automáticos.
- Barreiras eletrônicas: em vez de uma barreira física, essa tecnologia cria um campo eletromagnético na água. Os tubarões possuem órgãos sensoriais que são extremamente sensíveis a esses campos, o que causa um desconforto e os faz desviar da área protegida sem sofrer danos físicos.
- Monitoramento por satélite: cientistas instalam chips em tubarões para rastrear seus movimentos via satélite. Quando um animal com o dispositivo se aproxima de uma praia monitorada, boias inteligentes (smart buoys) captam o sinal e enviam um aviso para aplicativos de celular e para os salva-vidas.
A combinação dessas ferramentas cria um sistema de defesa mais completo. Um drone pode identificar uma mancha escura na água, e um sonar pode confirmar se é um tubarão, acionando um alerta em tempo real. No Brasil, o uso dessas tecnologias avançadas ainda é incipiente e alvo de debates sobre custos e eficácia para a realidade da nossa costa, mas representa um caminho promissor para aumentar a segurança no mar, especialmente em locais com histórico de incidentes.










