O novo colapso do jogador dinamarquês Christian Eriksen durante um amistoso em 7 de junho de 2026, cinco anos após o primeiro mal súbito na Eurocopa de 2021, chocou o mundo do esporte novamente. O episódio reforça um alerta crucial sobre a saúde cardíaca de atletas de alto rendimento. Eriksen, que utiliza um desfibrilador cardioversor implantável (CDI) desde o primeiro evento, sobreviveu graças à tecnologia, mas o caso levanta questões sobre os riscos para quem leva o corpo ao limite.
Contrariando o senso comum, o problema raramente começa com o esporte. Na maioria das vezes, o atleta já possui uma condição cardíaca silenciosa, muitas vezes de origem genética, que nunca apresentou sintomas claros. O esforço físico extremo exigido em treinos e competições atua como um gatilho para essa doença preexistente.
O coração de um atleta passa por adaptações naturais para suportar a alta demanda, um fenômeno conhecido como “coração de atleta”. Esse órgão fica mais forte e maior. No entanto, essa mudança pode mascarar ou ser confundida com doenças graves que também aumentam a espessura do músculo cardíaco.
Principais causas do mal súbito em atletas
As condições mais frequentemente associadas a eventos cardíacos súbitos no esporte são doenças estruturais e elétricas do coração. Entre as principais, destacam-se a cardiomiopatia hipertrófica, que causa um espessamento anormal do músculo cardíaco, dificultando o bombeamento de sangue.
Outra causa comum são as arritmias, que são alterações no ritmo dos batimentos cardíacos. Em um coração com alguma anomalia, o estresse físico intenso pode desencadear uma arritmia grave, levando a uma parada cardiorrespiratória. Anomalias congênitas nas artérias coronárias também representam um risco significativo.
A importância dos exames preventivos
A boa notícia é que, como o próprio caso de Eriksen demonstra, o diagnóstico e a prevenção são possíveis. A maioria dessas condições pode ser identificada em exames de rotina. A avaliação pré-participação esportiva é fundamental para garantir a segurança de qualquer pessoa que pratique atividades físicas intensas, seja profissional ou amadora. Essa avaliação geralmente inclui:
- Histórico clínico e familiar: investigar casos de morte súbita ou doenças cardíacas na família é o primeiro passo.
- Eletrocardiograma (ECG): um exame simples que avalia o ritmo elétrico do coração em repouso e pode sinalizar diversas anormalidades.
- Ecocardiograma: funciona como um ultrassom do coração, mostrando em detalhes a estrutura e o funcionamento do músculo cardíaco e das válvulas.
- Teste ergométrico: conhecido como teste de esteira, monitora o comportamento do coração durante o esforço físico, revelando problemas que não aparecem em repouso.
Esses exames são capazes de detectar alterações que colocam o atleta em risco, permitindo um tratamento precoce — como a implantação de um desfibrilador — ou a orientação para adaptar a prática esportiva. O caso de Christian Eriksen, com seus dois episódios, é um poderoso lembrete de que o acompanhamento médico contínuo é vital para que o esporte continue sendo sinônimo de saúde.










