O fim da escala de trabalho 6×1 está mais próximo de se tornar realidade no Brasil. Em 27 de maio de 2026, a Câmara dos Deputados aprovou, por 461 votos a 19, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, que estabelece a jornada de trabalho de 40 horas semanais com dois dias de descanso. A medida, que agora aguarda votação no Senado, divide opiniões no setor produtivo e acende um alerta sobre os possíveis impactos econômicos.
Para muitos empresários, especialmente nos setores de comércio e serviços, a mudança na Constituição representaria um desafio significativo. A principal preocupação é o aumento dos custos operacionais, uma vez que a redução da jornada exigiria a contratação de mais funcionários para cobrir os mesmos turnos. Essa necessidade impactaria diretamente a folha de pagamento, com salários e encargos que poderiam comprometer a saúde financeira de pequenas e médias empresas.
Argumentos contra a mudança na jornada
A competitividade do mercado é outro ponto levantado por representantes do setor produtivo. Com custos mais elevados, as empresas poderiam ser forçadas a repassar esse aumento para os preços de produtos e serviços. Em um cenário econômico sensível, essa prática poderia afastar consumidores e diminuir o poder de compra da população.
Além da questão financeira, há o desafio logístico. Reorganizar escalas de trabalho em estabelecimentos que funcionam aos fins de semana ou em regime de 24 horas, como hospitais, restaurantes e supermercados, demandaria uma reestruturação complexa. A dificuldade em encontrar mão de obra qualificada para preencher as novas vagas também é citada como um obstáculo.
Outro risco apontado é a possibilidade de um aumento da informalidade. Para evitar os custos associados à nova legislação, alguns empregadores poderiam optar por contratações sem registro formal, precarizando ainda mais as relações de trabalho e indo na contramão do objetivo original da proposta.
O que prevê a PEC
O texto da PEC aprovada na Câmara prevê regras de transição: a mudança começaria 60 dias após a promulgação, com uma redução inicial da jornada para 42 horas semanais, passando para 40 horas posteriormente. A proposta garante a manutenção integral dos salários.
Além disso, a PEC estabelece exceções. Acordos ou convenções coletivas poderão definir jornadas de trabalho diferentes, permitindo flexibilidade para setores específicos. Profissionais com diploma de nível superior e salário mensal superior a R$ 21.188,87 também não seriam incluídos na nova regra.
Com a aprovação na Câmara, a PEC 221/19 segue agora para análise do Senado. Enquanto sindicatos e trabalhadores comemoram o avanço como uma conquista para a qualidade de vida, o setor empresarial pede cautela. O diálogo entre as partes será fundamental para definir os próximos passos e encontrar soluções que equilibrem bem-estar e sustentabilidade econômica.










