A frequência e a intensidade de ciclones no Sul do Brasil têm uma explicação direta: o aquecimento recorde das águas do Oceano Atlântico. Esse cenário, potencializado pelas mudanças climáticas globais, cria um ambiente ideal para a formação de tempestades severas, conforme análises de meteorologistas especializados no monitoramento de eventos extremos na região.
O oceano mais quente funciona como um combustível para a atmosfera. A água com temperatura acima da média libera mais vapor, injetando uma enorme quantidade de umidade no ar. Essa umidade é a matéria-prima para as nuvens carregadas que, sob as condições certas, dão origem aos ciclones extratropicais que atingem principalmente Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Essa energia extra disponível na atmosfera torna os fenômenos não apenas mais comuns, mas também mais destrutivos, como visto nas enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024. As tempestades se formam com mais rapidez e carregam um volume de chuva e ventos muito superior ao que era observado em décadas passadas.
Dois fatores explicam a intensidade
A geografia do Sul do Brasil desempenha um papel crucial. A região é um tradicional ponto de encontro de massas de ar: uma fria e seca, que avança do Polo Sul, e outra quente e úmida, vinda da Amazônia. O choque entre elas é o gatilho para a instabilidade no tempo.
O que mudou na última década é que a massa de ar quente está chegando com muito mais umidade, justamente por causa do aquecimento do oceano. Esse fator, combinado com a chegada do ar polar, cria um contraste térmico extremo, que serve como um verdadeiro motor para a formação dos ciclones.
Além disso, corredores de umidade, conhecidos como “rios atmosféricos”, transportam essa umidade do oceano e da região amazônica diretamente para o Sul. Quando encontram o ar frio, essa umidade se condensa rapidamente, gerando chuvas torrenciais e ventos fortes em um curto espaço de tempo.
O cenário para os próximos anos indica uma continuidade dessa tendência. Com a previsão de que as temperaturas globais continuem subindo, a expectativa é que eventos climáticos extremos como estes se tornem parte de uma nova realidade na região, exigindo maior preparo e sistemas de alerta mais eficientes.








