O polimetilmetacrilato (PMMA) está oficialmente proibido no Brasil para fins estéticos e reparadores desde 2 de junho de 2026. A Resolução CFM 2.461/2026, do Conselho Federal de Medicina, baniu o uso da substância por médicos em todo o território nacional, após anos de alertas sobre complicações graves. A única exceção permitida é para o tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/aids, e apenas em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A decisão foi motivada por uma série de casos de deformidades, necroses e até mortes, que ganharam notoriedade, como o da repórter Ju Massaoka, que em maio de 2026 revelou ter recebido PMMA sem consentimento, quase perdendo o nariz. O PMMA é um preenchedor definitivo composto por microesferas de plástico que não é absorvido pelo organismo. O corpo humano reage à substância como um corpo estranho, desencadeando um processo inflamatório crônico que pode se manifestar anos após a aplicação.
Essa reação tardia é um dos maiores problemas, pois o paciente pode não associar os sintomas ao procedimento realizado no passado. As complicações são graves e, muitas vezes, de difícil solução, exigindo cirurgias complexas para a remoção do produto, que nem sempre é totalmente possível.
Principais riscos do PMMA
As consequências do uso da substância plástica podem ser devastadoras, mesmo quando aplicada por profissionais habilitados. As complicações mais comuns incluem:
- Reações inflamatórias crônicas: o organismo tenta isolar as microesferas de plástico, formando nódulos endurecidos e dolorosos, conhecidos como granulomas.
- Deformidades e necrose: a inflamação persistente pode levar à deformação da área tratada e até à morte do tecido (necrose), causando danos permanentes.
- Dificuldade de remoção: por ser um preenchedor definitivo que se integra aos tecidos, a remoção do PMMA é um procedimento cirúrgico complexo, que pode deixar cicatrizes e não garante a retirada completa do material.
- Migração do produto: as microesferas podem se deslocar da área de aplicação para outras partes do corpo, gerando inflamações e complicações em locais distantes.
A alternativa segura e mais recomendada para preenchimentos estéticos é o ácido hialurônico. Por ser uma substância absorvível e biocompatível, seus efeitos são temporários e os riscos de reações adversas são significativamente menores. Outras opções seguras incluem bioestimuladores de colágeno, como o ácido poli-L-láctico (Sculptra) e a hidroxiapatita de cálcio (Radiesse). Para quem já realizou procedimentos com PMMA no passado, a recomendação é procurar acompanhamento médico regular para monitorar possíveis reações, mesmo sem sintomas aparentes.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) se posicionou favoravelmente à proibição, reforçando que o Brasil era um dos últimos países a permitir o uso de PMMA para fins estéticos em grandes volumes. A decisão do CFM alinha a prática médica nacional aos padrões internacionais de segurança do paciente.










