A psicóloga colombiana Catalina Giraldo, de 30 anos, morreu por eutanásia na Colômbia em julho de 2026, após uma longa batalha judicial e mais de uma década de luta contra transtornos mentais graves. Tendo tentado cerca de 40 combinações de medicamentos e sido hospitalizada nove vezes desde 2019, seu caso é emblemático: o procedimento foi autorizado devido ao sofrimento psíquico, e não por uma doença em estágio terminal, reabrindo um intenso debate sobre os limites do direito à morte assistida.
A Colômbia é um dos poucos países onde a eutanásia é legalizada. Inicialmente, a prática era restrita a pacientes com doenças terminais. No entanto, uma decisão da Corte Constitucional em 2022 descriminalizou o suicídio medicamente assistido para casos de sofrimento intenso por doença grave ou incurável, expandindo o entendimento sobre o direito a uma morte digna. É importante notar a diferença: na eutanásia, um profissional de saúde administra o medicamento, enquanto no suicídio assistido, o próprio paciente o faz. Catalina optou pela eutanásia por ser um procedimento já regulamentado no país, ao contrário do suicídio assistido, que ainda carece de protocolos claros.
A principal polêmica gira em torno de uma pergunta: um sofrimento psíquico pode ser considerado incurável da mesma forma que uma doença física terminal? Para muitos, a fronteira entre um transtorno tratável e uma condição sem perspectiva de melhora é difícil de definir, abrindo margem para questionamentos éticos e médicos complexos.
Eutanásia: a complexa decisão médica e judicial
Defensores do procedimento argumentam que transtornos mentais graves e resistentes a tratamentos podem causar um sofrimento tão ou mais incapacitante que enfermidades físicas. A dor emocional, segundo essa perspectiva, também retira a dignidade e a qualidade de vida, justificando a autonomia do paciente em decidir sobre o próprio fim.
O desafio está na natureza do diagnóstico psiquiátrico. Diferente de um exame que confirma um tumor em estágio avançado, a avaliação de um transtorno mental não oferece a mesma certeza sobre sua incurabilidade a longo prazo. Novas terapias e a possibilidade de remissão tornam a decisão de classificar uma condição como “sem esperança” extremamente delicada.
O acesso à eutanásia por sofrimento psíquico na Colômbia não é um processo simples. Exige avaliações rigorosas de comitês médicos e psiquiátricos para atestar que a condição é grave, incurável e que o paciente possui plena capacidade de tomar a decisão, sem qualquer tipo de coerção externa.
O caso de Catalina Giraldo estabelece um precedente importante e alimenta a discussão global. Antes de morrer, ela solicitou à Corte Constitucional que seu caso fosse resolvido mesmo postumamente, visando eliminar barreiras para futuros pacientes. Sua luta força a sociedade a confrontar questões difíceis sobre a autonomia, a natureza do sofrimento e os critérios que definem uma vida digna de ser vivida.









