A morte de Martha Lillard, a última pessoa nos Estados Unidos que vivia em um “pulmão de aço” por causa da poliomielite, trouxe de volta um alerta global. Sua história de mais de 70 anos de luta contra as sequelas da doença serve como um lembrete contundente de que, embora erradicada em muitos países, a pólio ainda é uma ameaça real em algumas partes do planeta.
Graças a um esforço mundial de vacinação iniciado em 1988, os casos de poliomielite diminuíram mais de 99%. A doença, que antes paralisava centenas de milhares de crianças todos os anos, agora está restrita a poucas regiões. No entanto, enquanto o vírus continuar a circular em qualquer lugar, o risco de um ressurgimento permanece.
Onde a poliomielite ainda é endêmica?
Atualmente, o poliovírus selvagem, a forma original da doença, é considerado endêmico em apenas dois países: Paquistão e Afeganistão. Nessas nações, conflitos, instabilidade política e desinformação dificultam o acesso das equipes de vacinação a todas as crianças, criando bolsões onde o vírus consegue sobreviver e se espalhar.
Além do vírus selvagem, existe outra preocupação: os surtos de poliovírus circulante derivado da vacina (cVDPV). Este tipo de vírus surge em comunidades com baixa cobertura vacinal, onde uma forma enfraquecida do vírus presente na vacina oral pode sofrer mutações e recuperar a capacidade de causar paralisia. Surtos deste tipo já foram registrados em dezenas de países, especialmente em regiões da África e da Ásia com baixa cobertura vacinal, representando um desafio adicional para a erradicação.
A vacinação como única barreira
A estratégia para eliminar a poliomielite se baseia inteiramente na imunização. A vacina inativada (injetável) e a vacina oral (gotas) são as principais ferramentas para proteger as crianças e interromper a transmissão do vírus. Manter altas taxas de cobertura vacinal é crucial não apenas para proteger os indivíduos, mas para criar uma imunidade coletiva que impede a circulação do vírus.
A história de Martha Lillard mostra as consequências devastadoras da doença em um mundo sem vacinas. A erradicação completa depende de um esforço contínuo e do compromisso global para garantir que todas as crianças, em todos os lugares, recebam a imunização necessária. Só assim o objetivo de um mundo livre da pólio poderá ser finalmente alcançado.










