O reajuste do plano de saúde pesou no bolso novamente este ano e a explicação vai muito além da inflação. Fatores como o aumento dos custos médico-hospitalares, o crescimento de fraudes e a incorporação de novas tecnologias estão pressionando as mensalidades e desafiando a sustentabilidade do setor, impactando tanto os consumidores quanto os grandes conglomerados de saúde.
A principal razão para os aumentos é a chamada Variação de Custos Médico-Hospitalares (VCMH), conhecida como a “inflação da saúde”. Esse índice costuma superar a inflação oficial do país porque reflete o encarecimento de exames, medicamentos de ponta, equipamentos modernos e honorários, além da maior frequência com que os beneficiários utilizam os serviços.
Após um período de menor utilização durante a pandemia de covid-19, houve uma demanda reprimida por procedimentos eletivos e consultas, o que acelerou ainda mais esses custos. O sistema de saúde suplementar viu as despesas crescerem de forma expressiva, e essa conta é repassada aos usuários nos reajustes anuais.
Os vilões silenciosos do seu boleto
Além dos custos assistenciais, as fraudes se tornaram um problema crônico que afeta diretamente o valor pago por todos. Práticas indevidas, que vão desde o reembolso de procedimentos não realizados até o compartilhamento de senhas para uso do plano por terceiros, geram um prejuízo bilionário para as operadoras, que é diluído no preço final das mensalidades.
Outros pontos que influenciam o cálculo incluem:
- Novas tecnologias: a incorporação de tratamentos e medicamentos mais avançados ao rol de procedimentos obrigatórios da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aumenta a qualidade do atendimento, mas também eleva os custos.
- Envelhecimento da população: com o aumento da expectativa de vida, cresce a utilização de serviços de saúde mais complexos e de longa duração, pressionando o equilíbrio financeiro dos planos.
- Judicialização: decisões judiciais que obrigam a cobertura de tratamentos não previstos em contrato também geram despesas extras e imprevisíveis para as empresas do setor.
Para os planos coletivos, empresariais ou por adesão, a negociação do reajuste é livre entre a empresa contratante e a operadora, baseada na sinistralidade do grupo, ou seja, no quanto ele utilizou os serviços. Já os planos individuais e familiares têm o percentual de aumento limitado e definido anualmente pela própria ANS.










