O Ministério da Saúde emitiu um alerta e recomendou a ampliação da vacinação contra o sarampo em municípios de São Paulo após a confirmação de 14 casos da doença em 2026, incluindo um surto ativo. A medida acende um sinal de perigo, pois o Brasil, que havia perdido o certificado de eliminação do sarampo em 2018 e o recuperado em novembro de 2024, enfrenta novamente o risco da circulação do vírus.
O retorno do vírus está diretamente ligado à queda na cobertura vacinal. Para que a população esteja protegida e a circulação do sarampo seja interrompida, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que 95% do público-alvo seja vacinado. No entanto, o Brasil não atinge essa meta há vários anos, o que cria bolsões de pessoas vulneráveis à infecção.
O que explica a baixa adesão à vacina?
Diversos fatores contribuem para a baixa adesão à vacinação. Um dos principais é a falsa sensação de segurança. Como a doença esteve controlada por muito tempo, muitas pessoas não percebem mais o sarampo como uma ameaça real e acabam negligenciando o calendário vacinal dos filhos e o próprio reforço.
A disseminação de desinformação e notícias falsas sobre as vacinas também desempenha um papel crucial. Mitos que associam os imunizantes a problemas de saúde, mesmo que já desmentidos por inúmeros estudos científicos, geram medo e hesitação em parte da população, afastando-a dos postos de saúde.
Além disso, barreiras práticas, como a dificuldade de acesso aos serviços de saúde e a rotina de trabalho dos pais, podem dificultar o cumprimento do calendário vacinal. A pandemia de covid-19 também impactou a busca por outras vacinas, desorganizando a rotina de imunização de muitas famílias.
Os riscos do retorno do sarampo
O sarampo é uma doença altamente contagiosa, transmitida por meio de tosse, espirros ou contato com secreções de uma pessoa infectada. Uma pessoa com o vírus pode infectar de 12 a 18 outras que não estejam imunes. A doença não se resume a febre e manchas na pele; suas complicações podem ser graves.
Entre as consequências mais sérias estão a pneumonia, otite, encefalite (inflamação no cérebro que pode deixar sequelas neurológicas) e até a morte. Crianças menores de cinco anos, adultos com mais de 20 anos e pessoas com o sistema imunológico comprometido são os grupos mais suscetíveis a desenvolver formas graves da doença. Nos casos recentes, a maioria dos infectados eram bebês com menos de um ano, que ainda não tinham idade para receber a primeira dose, o que reforça a importância da proteção coletiva.
A única forma de prevenção é a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Ela é segura, eficaz e oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o território nacional. Manter a caderneta de vacinação atualizada é fundamental para proteger a si mesmo e toda a comunidade.







