A ideia de um “gene da traição” que determina a fidelidade de uma pessoa é um mito. A ciência, no entanto, mostra que a infidelidade é um comportamento complexo, influenciado por uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais. A chave para entender a parte biológica está na química do cérebro, especialmente na ação de hormônios como a ocitocina e a vasopressina.
Essas substâncias químicas desempenham papéis centrais na formação de laços afetivos. A ocitocina, frequentemente chamada de “hormônio do amor”, é liberada durante momentos de intimidade e fortalece sentimentos de confiança e conexão entre parceiros. Já a vasopressina está mais ligada ao comportamento social de longo prazo e ao sentimento de proteção, influenciando a monogamia em diversas espécies.
A predisposição genética para a infidelidade existe?
Pesquisas na área da genética comportamental identificaram que variações em certos genes podem, de fato, criar uma predisposição a determinados comportamentos. Um dos mais estudados é o gene receptor da vasopressina, conhecido como AVPR1A. Algumas variações desse gene foram associadas a uma menor capacidade de criar laços monogâmicos e a uma maior probabilidade de infidelidade em ambos os sexos, embora os estudos mostrem resultados em contextos diferentes para homens e mulheres.
É fundamental entender que ter uma dessas variações genéticas não condena ninguém à infidelidade. A genética funciona como um fator de risco, não como um destino. Pense nisso como uma predisposição à altura: a genética define um potencial, mas a nutrição e o ambiente determinam o resultado final. Da mesma forma, a tendência biológica pode ser modulada por valores pessoais, satisfação no relacionamento e contexto cultural.
A busca por recompensa
Outro elemento químico importante nessa equação é a dopamina, o neurotransmissor do sistema de recompensa do cérebro. A dopamina é liberada em resposta a experiências novas e prazerosas, criando uma sensação de euforia. Para algumas pessoas, a busca por essa onda de dopamina pode se manifestar na procura por novas parceiras ou parceiros, mesmo que estejam em um relacionamento estável.
No fim, a fidelidade não pode ser resumida a um único gene ou hormônio. É o resultado de uma interação complexa entre nossa biologia, nossas emoções e as decisões que tomamos. A ciência ajuda a explicar por que algumas pessoas podem sentir mais dificuldade em manter a monogamia, mas o comportamento final ainda é moldado pela consciência, pelo caráter e pelas circunstâncias de vida de cada um.










