A discussão sobre a inclusão da vacina contra a herpes zoster no Sistema Único de Saúde (SUS) tem ganhado força em meio a debates sobre políticas públicas de saúde. A proposta levanta dúvidas sobre como o imunizante funciona e quem realmente pode se beneficiar dele. A doença, popularmente conhecida como cobreiro, é causada pela reativação do vírus da catapora (varicela-zoster), que permanece adormecido no corpo por anos.
Diferente da vacina mais antiga, que usava o vírus atenuado e foi descontinuada, a versão mais moderna disponível no Brasil é uma vacina recombinante inativada. Isso significa que ela não contém o vírus vivo. Em vez disso, utiliza uma pequena parte do vírus, a glicoproteína E, combinada com uma substância que potencializa a resposta do sistema de defesa do corpo. Atualmente, este imunizante está disponível apenas na rede particular de saúde.
Na prática, o imunizante “ensina” as células de defesa a reconhecerem e combaterem o vírus da varicela-zoster caso ele seja reativado. Essa resposta imune robusta impede que o vírus se multiplique e cause as dolorosas lesões na pele, características da herpes zoster. A eficácia na prevenção da doença varia de 90% a 97%, dependendo da faixa etária.
Quem pode tomar a vacina contra o herpes zoster?
Mesmo quem já teve um episódio de herpes zoster pode se beneficiar da vacinação para prevenir futuras ocorrências. A imunização é indicada principalmente para dois grupos, com aplicação em duas doses e um intervalo padrão de dois meses entre elas, que pode ser flexibilizado conforme orientação médica:
- Adultos com 50 anos ou mais: faixa etária em que o risco de reativação do vírus aumenta significativamente devido ao enfraquecimento natural do sistema imune.
- Adultos com 18 anos ou mais com risco aumentado da doença: inclui pessoas com o sistema imunológico comprometido por condições como câncer, HIV ou uso de medicamentos imunossupressores.
Quais são as contraindicações?
A principal contraindicação é para pessoas que já tiveram reação alérgica grave a alguma dose anterior ou a um dos componentes da vacina. Por não conter vírus vivo, ela é considerada segura para pacientes imunocomprometidos. As reações mais comuns são leves e passageiras, como dor no local da injeção, fadiga, dor de cabeça e dores musculares.
O objetivo do imunizante é evitar não apenas as lesões na pele, que se manifestam como bolhas dolorosas e uma sensação de queimação, mas principalmente sua complicação mais temida. A neuralgia pós-herpética é uma dor crônica e debilitante que pode persistir por meses ou até anos após o desaparecimento das erupções cutâneas.









