Em 2026, as urnas eletrônicas completam 30 anos de uso no Brasil, e a segurança do sistema de votação volta a ser um tema central. Compreender os múltiplos mecanismos que protegem o voto de milhões de brasileiros a cada eleição é fundamental para a confiança no processo democrático.
O principal pilar da segurança das urnas eletrônicas é seu isolamento. Os equipamentos não se conectam à internet, nem possuem placas de rede, Wi-Fi ou Bluetooth. Essa característica impede ataques remotos, já que não há como um invasor acessar o sistema externamente durante o processo de votação.
Toda a preparação das urnas ocorre em cerimônias públicas, com a presença de representantes de partidos políticos, do Ministério Público e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Os sistemas são carregados com os dados dos candidatos e eleitores e, em seguida, lacrados fisicamente, garantindo que não sofram alterações até o dia da eleição.
Como sistema protege as urnas eletrônicas?
Diversas camadas de segurança são aplicadas para garantir a integridade do processo. Elas funcionam de maneira integrada para proteger o voto desde o momento em que ele é digitado até a sua totalização final.
- Criptografia e assinatura digital: os votos são registrados de forma embaralhada e anônima. Cada programa e arquivo inserido na urna possui uma assinatura digital, uma espécie de selo de autenticidade que impede a execução de qualquer software não autorizado pelo TSE.
- Testes Públicos de Segurança (TPS): antes de cada eleição, o TSE promove os Testes Públicos de Segurança, com edições realizadas em 2021, 2023 e 2025. Nesses eventos, especialistas em tecnologia são convidados a tentar invadir o sistema e quebrar suas barreiras de proteção. As falhas eventualmente encontradas são corrigidas antes do pleito oficial.
- Auditoria e transparência: no dia da votação, diversos mecanismos de auditoria são aplicados. Antes do início, é impresso o relatório da “zerésima”, que comprova a ausência de votos na urna. Ao final, o Boletim de Urna (BU) é impresso com o resultado daquela seção e pode ser conferido por qualquer cidadão.
Após o encerramento, os resultados de cada urna são gravados em uma mídia removível e transportados fisicamente até os pontos de transmissão. Somente nesses locais os dados são enviados para a rede segura e privada do TSE para a soma dos votos, um ambiente completamente isolado da internet pública.










