O volume de chuva que atinge o estado de São Paulo em setembro de 2026 já é o maior registrado para o mês em 83 anos, desde o início da série histórica em 1943. O fenômeno extremo é resultado de uma rara combinação de fatores climáticos que atuam simultaneamente e com grande intensidade, criando as condições perfeitas para tempestades severas e persistentes.
Na capital, o acumulado já chegava a 253,8 mm até o dia 14, superando o recorde anterior de 243,1 mm, registrado em 1983. Em cidades do litoral, como Iguape, o impacto foi ainda maior, com 331,2 mm registrados no mesmo período. A situação levou o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) a emitir alertas para diversas regiões do estado.
Entenda a combinação de fatores
A instabilidade fora do comum não pode ser atribuída a uma única causa. Meteorologistas explicam que o cenário atual é fruto da convergência de elementos que, juntos, potencializam a formação de nuvens carregadas. São eles:
- Dipolo do Atlântico Sul: Este padrão climático oceânico favoreceu a passagem frequente de frentes frias pela região Sudeste, criando condições ideais para precipitações acima da média.
- Frentes frias recorrentes: O avanço constante de frentes frias vindas do Sul do país funciona como um gatilho. Ao encontrar a massa de ar quente e úmida estacionada sobre São Paulo, o ar frio, mais denso, força a subida rápida desse vapor, que se condensa e forma as nuvens de chuva.
- Umidade da Amazônia: Os chamados “rios voadores”, corredores de umidade que se deslocam da região amazônica, estão sendo canalizados diretamente para o Sudeste. Esse fluxo constante de vapor de água abastece as nuvens, tornando as chuvas mais volumosas e duradouras.
Essa tempestade perfeita de fatores climáticos explica por que as chuvas não apenas ocorrem, mas persistem por dias seguidos e com forte intensidade. Os alertas do Inmet preveem precipitações volumosas, ventos fortes e risco de queda de granizo em várias áreas do estado.










