ENEM

Presidente do Inep vai ao Congresso nesta quarta explicar debandada de servidores

Danilo Dupas deverá explicar as razões pelas quais 35 servidores da instituição, diretamente ligados à realização do Enem, renunciaram aos seus cargos

João Vitor Tavarez*
postado em 10/11/2021 06:00
 (crédito: Divulgação Inep)
(crédito: Divulgação Inep)

O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Danilo Dupas, tentará explicar, hoje, na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, as razões pelas quais 35 servidores da instituição, diretamente ligados à realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), renunciaram aos seus cargos na última segunda-feira. Os técnicos alegaram "fragilidade técnica e administrativa da atual gestão", além de acusarem Dupas de prática recorrente de assédio moral.

Mas a cobrança por responsabilidades pela crise no Inep não se restringirá ao presidente do instituto. Conforme requerimento do deputado Professor Israel Batista (PV-DF), ministro da Educação, Milton Ribeiro, também terá de dar os motivos pelos quais houve a debandada de servidores a duas semanas da realização do certame mais importante para os estudantes secundaristas. Terá de esclarecer, sobretudo, por que não contestou publicamente as acusações que os técnicos fizeram a Dupas.

Ribeiro vem colecionando polêmicas à frente do MEC — sobretudo por conta das acusações de ineficiência e negligência da sua gestão. Uma delas, em agosto passado, atacou a chamada educação inclusiva, quando o ministro afirmou que crianças com autismo deveriam estudar em salas separadas de outros alunos.

"Nós não queremos o inclusivismo. Criticam a minha terminologia, mas é essa mesmo que eu continuo a usar", afirmou, acrescentando que há crianças com grau de deficiência tal que "é impossível a convivência" com as não autistas.

Ribeiro: silêncio sobre acusações ao presidente do Inep
Ribeiro: silêncio sobre acusações ao presidente do Inep (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

O ministro também não se mostrou contrariado com o contingenciamento de 90% do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) — o que foi entendido pelos setores ligados à educação como uma prova de descaso. Cerca de R$ 5 milhões para fins científicos foram congelados após a sanção do Orçamento de 2021. O MEC teve o maior corte de recursos (R$ 2,7 bilhões), uma mega-supressão no repasse de verbas às universidades e a projetos de pesquisa.

*Estagiários sob a supervisão de Fabio Grecchi

 


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