Violência

Alto Solimões, na Amazônia, é tradicional zona de conflito

Assassinatos do indigenista Bruno Araújo e do jornalista Dom Phillips evidenciaram os conflitos de pesca no Alto Solimões, região na tríplice fronteira com o Peru e a Colômbia

Michelle Portela
postado em 23/06/2022 18:28 / atualizado em 23/06/2022 18:28
 (crédito:  AFPPHOTO/ Greenpeace /  Rogerio ASSIS)
(crédito: AFPPHOTO/ Greenpeace / Rogerio ASSIS)

Os assassinatos do indigenista Bruno Araújo e do jornalista Dom Phillips evidenciaram os conflitos de pesca no Alto Solimões, região na tríplice fronteira com o Peru e a Colômbia. Entretanto, a cidade mais importante da região, Tabatinga, a 1.106 quilômetros de Manaus, capital do Amazonas, acumula um histórico de violência e casos de homicídios não solucionados, dividindo com Letícia, cidade do lado colombiano, uma vida de dupla nacionalidade.

Antes dos atentados que vitimaram Bruno e Dom, outro caso que chamou a atenção foi o do indigenista Maxciel Pereira dos Santos, morto com um tiro na nuca na Avenida da Amizade, principal avenida de Tabatinga (AM) — que liga uma cidade à outra —, em setembro de 2019, em mais um caso não esclarecido pela Polícia Civil do Amazonas.

Narcotráfico

Maxciel foi morto ao retornar da base de proteção da Funai no posto do Rio Curuçá. Conhecido por ser um servidor rígido e tendo prestado o serviço militar obrigatório, ele era considerado “duro” no serviço. Recentemente, um dossiê entregue à imprensa mostra que as suspeitas da família sobre a autoria do crime giram em torno de um nome: “Colômbia”, o Rubens Villar, um peruano com dupla personalidade que exercia forte influência na região do Alto Solimões.

Crimes em torno do narcotráfico são recorrentes na região, que já foi retratada no filme O Dia da Caça (1999), dirigido por Alberto Graça. Em 17 de novembro de 2010. A Associação Brasileira de Antropologia, por meio da Comissão de Direitos Humanos e do Comitê Cidadania, Violência e Gestão Estatal, manifestou, em dezembro de 2021, “preocupações com a atuação das forças de segurança pública no estado do Amazonas”.

A declaração ocorreu após a execução de sete homens negros e descendentes de indígenas, com idades entre 17 e 27 anos, por membros da Polícia Militar, também em Tabatinga. Um deles foi morto em sua própria casa, dois na rua e três encontrados no lixão da cidade com sinais de tortura e decapitação. Todas as mortes ocorreram horas após a morte de um policial militar.

Neste ano, mais um crime entrou para o histórico do município de Tabatinga. O vereador Olímpio Guedes Olavo Júnior (PSD) foi morto aos 30 anos em Manaus, capital do estado, vítima de um segundo atentado. Ele morreu no hospital dois dias após ser baleado, dentro do seu carro, no bairro de Flores, zona Centro-Sul da cidade, no último dia 14 de maio.

De acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, em 2021, o vereador já havia sofrido uma tentativa de homicídio. A pasta diz que o crime ainda está sendo investigado. Entretanto, documentos da Justiça Federal da 1ª Região mostram que Olímpio respondia por tráfico de drogas e foi um dos alvos da Operação Áquila, organizada pela Superintendência da Polícia Federal no Amazonas.

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