ESTUDO

Levantamento mapeia mortes de pessoas LGBT+ no Brasil: "Iceberg de ódio"

Levantamento aponta 257 vítimas no ano e alerta para subnotificação e ausência de políticas públicas específicas

O total de mortes repete o patamar observado em 2023, o que indica estagnação no enfrentamento à violência contra a comunidade -  (crédito: Daniel James/ Unsplash)
O total de mortes repete o patamar observado em 2023, o que indica estagnação no enfrentamento à violência contra a comunidade - (crédito: Daniel James/ Unsplash)

Uma pessoa LGBT+ foi morta a cada 34 horas no Brasil ao longo de 2025. O dado integra o mais recente levantamento do Observatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), que contabilizou 257 mortes noticiadas no país. Os casos englobam latrocínios, homicídios, suicídios. Apesar de representar uma redução de 12% em relação ao ano anterior, quando foram registrados 291 casos, o número expõe a persistência de um cenário de violência estrutural e pouco mapeado.

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O total de mortes repete o patamar observado em 2023, o que, para a ONG, indica estagnação no enfrentamento à violência contra a comunidade. A maior parte das vítimas era composta por homens gays, que somaram 156 casos. Mulheres trans aparecem em seguida, seguidas por travestis, pessoas bissexuais, lésbicas e homens trans.

Os homicídios respondem por 80% das ocorrências mapeadas, consolidando-se como a principal forma de violência letal contra a população LGBT+. Os suicídios representam 8% dos casos, enquanto os latrocínios somam 7%. Quase 60% das notificações, não há informação sobre o meio utilizado no crime. Entre os registros disponíveis, armas de fogo foram usadas em 15% das mortes e armas brancas, como facas, em 14%.

A distribuição regional dos casos revela maior concentração no Nordeste, com 66 ocorrências, seguido do Sudeste (48) e do Centro-Oeste (33). Em 84 registros, a região não foi informada. Entre os estados, São Paulo lidera o ranking, com 19 mortes, seguido por Bahia e Minas Gerais, ambos com 17. Nas capitais, São Paulo aparece novamente à frente, com seis casos, enquanto Salvador registrou cinco. Manaus, Goiânia e Belo Horizonte tiveram quatro ocorrências cada.

Fundador do GGB e doutor em antropologia, Luiz Mott avalia que a queda no número de mortes não pode ser atribuída a avanços concretos do poder público “infelizmente”. Segundo ele, embora existam leis que equiparam a homofobia ao crime de racismo e discursos oficiais de defesa da diversidade, faltam políticas específicas de “proteção à comunidade” LGBT+.

O GGB alerta que os números divulgados não refletem a totalidade da violência praticada no país. O levantamento é realizado há 45 anos com base em notícias da imprensa e informações enviadas à ONG, método que, segundo a entidade, evidencia apenas “a ponta visível de um iceberg de ódio e sangue”. A organização denuncia a falta de sistematização estatal, de financiamento público para pesquisas e a omissão de dados essenciais em registros policiais e reportagens, como orientação sexual, identidade de gênero e raça das vítimas.

Para a ONG, a ausência dessas informações compromete análises mais precisas e dificulta a formulação de políticas públicas eficazes. Mott defende que o governo federal assuma a responsabilidade de produzir estatísticas oficiais e implementar ações voltadas à prevenção da violência, sob risco de o país continuar liderando, ano após ano, o ranking mundial de mortes de pessoas LGBT+.

 

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postado em 18/01/2026 22:49 / atualizado em 18/01/2026 22:50
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