Crianças e adolescentes

YouTube adota IA para estimar idade de usuários

Plataforma aplicará proteções automáticas baseadas em análise de comportamento para impedir acesso a conteúdos sensíveis

França estuda proibir redes sociais para menores de 15 anos -  (crédito: Reprodução/Freepik)
França estuda proibir redes sociais para menores de 15 anos - (crédito: Reprodução/Freepik)

O YouTube vai expandir para o Brasil, nas próximas semanas, uma tecnologia para estimar a idade dos usuários e aplicar proteções adequadas a cada faixa etária. A iniciativa vinha sendo testada nos Estados Unidos e em alguns países europeus e, também, será implementada em Cingapura e na Austrália.

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Segundo a empresa, o sistema utiliza inteligência artificial para interpretar sinais de uso da plataforma, como tipos de vídeos pesquisados, categorias de conteúdo assistido e o tempo de existência da conta, a fim de identificar se o usuário tem menos ou mais de 18 anos. A estimativa será usada mesmo quando a data de nascimento registrada no cadastro do YouTube indicar outra idade.

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Quando o sistema identificar um usuário como adolescente, serão aplicadas automaticamente medidas como a desativação de publicidade personalizada, a ativação de ferramentas de bem-estar digital e salvaguardas nas recomendações, incluindo a limitação de visualizações repetitivas de determinados tipos de conteúdo.

Caso a tecnologia estime incorretamente que um usuário é menor de 18 anos, será possível comprovar a maioridade por meio de verificação, com o uso de documento oficial ou cartão de crédito. Apenas usuários identificados ou verificados como maiores de idade poderão acessar conteúdos com restrição etária.

A adoção desse modelo ocorre em um contexto de pressão internacional por ambientes digitais mais seguros para crianças e adolescentes. Em 2025, o Roblox anunciou a expansão de seu sistema de verificação de idade para todos os usuários, e passou a limitar a comunicação entre adultos e adolescentes. No início deste ano, o TikTok informou a implementação, em países da Europa, de uma tecnologia que analisa dados de perfil, vídeos publicados e sinais comportamentais para estimar se uma conta pertence a um menor de idade.

Para o doutor em comunicação e especialista em mídias digitais Paulo Almeida, professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) e da Faculdade Senac-DF, a principal mudança prática está na redução da exposição infantil a conteúdos inadequados. Segundo ele, até então, as restrições etárias eram facilmente contornadas pela simples alteração da data de nascimento no cadastro.

De acordo com Almeida, o impacto vai além do bloqueio de vídeos com restrição etária. Ele aponta que o sistema de recomendações é o principal fator de risco, ao intensificar progressivamente a entrega de conteúdos sensíveis. Com a estimativa automática de idade, a plataforma passa a limitar a distribuição de temas como violência, sexualização precoce, padrões corporais irreais e comportamentos de risco. "Isso quebra a lógica de escalada algorítmica, em que o próprio sistema vai intensificando a exposição conforme o histórico de consumo do usuário", explicou.

O especialista também destaca que a desativação de anúncios personalizados para perfis identificados como menores reduz o incentivo econômico para a produção de conteúdos voltados a esse público.

"Ainda assim, do ponto de vista da proteção infantil, é uma mudança estrutural relevante, porque altera a lógica do sistema de recomendação, e não apenas as regras de acesso".

A iniciativa também faz parte de uma tendência global. Isso torna o modelo mais preventivo do que reativo: a plataforma passa a agir antes da exposição ao conteúdo inadequado. "Ao mesmo tempo, surgem desafios importantes, como possíveis erros de classificação, questões de privacidade e o uso contínuo de monitoramento comportamental", explicou.

Na prática, o YouTube deixa de depender apenas das informações declaradas pelo usuário e passa a aplicar proteções de forma preventiva, antes da exposição ao conteúdo inadequado. "Se um adulto for classificado incorretamente como criança, ele terá de optar entre contestar a decisão, enviando um documento de identidade, ou aceitar as limitações impostas à conta", afirmou.

De acordo com o YouTube, a plataforma seguirá monitorando a experiência dos usuários e atuará em parceria com criadores de conteúdo durante a implementação da tecnologia.

*Estagiário sob a supervisão de Vinicius Doria

 

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postado em 28/01/2026 03:56
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