As festas de fim de ano foram marcadas por uma sequência de acidentes graves em rodovias federais e estaduais por todo o país. Entre os dias 30 de dezembro e 2 de janeiro, colisões envolvendo ônibus, caminhões e veículos de passeio deixaram dezenas de vítimas, interromperam rodovias estratégicas e mobilizaram forças de segurança, equipes de resgate e autoridades locais. Os números reforçam o problema: a combinação de tráfego intenso, imprudência e falhas humanas segue cobrando um preço alto no asfalto brasileiro.
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No Rio Grande do Sul, um dos episódios mais graves aconteceu na manhã de ontem, no quilômetro 491 da BR-116, em Pelotas. Um ônibus intermunicipal colidiu de frente com um caminhão carregado de areia. Onze pessoas morreram, incluindo o motorista do coletivo. A carga do caminhão foi lançada para dentro do ônibus, o que dificultou o trabalho das equipes de resgate. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), havia congestionamento no trecho no momento da colisão, e a principal hipótese é que o caminhão tenha invadido a contramão ao tentar evitar uma fila de veículos parados. A rodovia ficou totalmente bloqueada por horas.
No Paraná, outra tragédia foi registrada ontem. Na BR-376, em Guairaçá, um carro que havia acessado a rodovia por um trevo foi atingido por uma carreta carregada de adubo. Uma jovem de 21 anos morreu no local, e duas pessoas, de 13 e 20 anos, foram socorridas em estado grave. Chovia no momento do acidente, fator que pode ter contribuído para a colisão. No estado, balanço parcial da Operação Rodovida 2026 apontou 53 acidentes entre 30 de dezembro e 1º de Janeiro. A PRF destacou que a maioria dos casos está relacionada a falhas humanas, desatenção e excesso de velocidade. Os radares flagraram mais de 400 motoristas acima do limite permitido, incluindo um carro de luxo a mais de 200km/h.
No Centro-Oeste, a Virada do Ano foi especialmente dolorosa para famílias de diferentes estados. Em Goiás, quatro pessoas de uma mesma família morreram após o carro em que estavam colidir contra uma barreira de concreto e cair em uma ribanceira na BR-050, em Campo Alegre de Goiás. O veículo seguia no sentido Brasília quando o motorista perdeu o controle da direção. Os corpos foram levados ao Piauí, onde se deu o sepultamento, marcado por forte comoção na comunidade de origem das vítimas.
Outro acidente com múltiplas mortes foi registrado em Minas Gerais, na BR-040, em João Pinheiro. Um carro ocupado por um casal e duas crianças colidiu frontalmente com um caminhão-cegonha que teria invadido a faixa contrária. Com o impacto, o veículo menor saiu da pista e pegou fogo. Todos os ocupantes morreram no local. A PRF isolou a área para perícia, e as causas exatas da tragédia ainda estão sob investigação.
Em Mato Grosso, a PRF apura as circunstâncias de um acidente que matou quatro pessoas da mesma família após uma colisão frontal entre um carro e uma carreta. Excesso de velocidade, sonolência, distração ao volante e possível falha mecânica estão entre as hipóteses analisadas. Uma criança de 12 anos sobreviveu e permanece internada, fora de risco.
Exemplo do Norte
No Norte, boas notícias. No Amazonas, a PRF registrou redução 21% no número de acidentes, feridos e mortes ao longo de 2025, resultado atribuído ao reforço na fiscalização e a ações educativas. Durante a Operação Ano Novo no estado, não houve registro de acidentes, segundo o órgão, contraste que evidencia a importância de estratégias preventivas contínuas.
No Nordeste, o balanço parcial da PRF no Rio Grande do Norte mostrou aumento de 42% no número total de ocorrências durante os dois primeiros dias da Operação Rodovida, embora os casos graves e o número de feridos tenham apresentado queda em relação ao ano anterior. A fiscalização intensificada resultou em centenas de testes de alcoolemia, autuações por recusa ao bafômetro e prisões por embriaguez ao volante.
No balanço nacional, a Polícia Rodoviária Federal informou que a Operação Ano Novo registrou 561 acidentes e 22,4 mil infrações de trânsito entre 30 de dezembro de 2025 e 1º de Janeiro de 2026, números que reforçam o desafio permanente da segurança viária em períodos de grande fluxo. Na comparação com a Operação Natal 2025, que contabilizou 1.196 acidentes, 111 mortes e 1.347 feridos, todos em queda frente aos dados de 2024, a PRF avalia que o reforço da fiscalização tem impacto direto na redução da violência nas estradas.
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