DIVERSIDADE

Dia Municipal do Orgulho LGBT é criado em Belo Horizonte

Data será celebrada anualmente no terceiro domingo de julho a partir deste ano, conforme publicado no Diário Oficial do Município (DOM)

Belo Horizonte terá um dia para celebrar o orgulho LGBTQIAPN+ a partir de 2026, conforme a Lei nº 11.962, publicada no Diário Oficial do Município (DOM) nesta sexta-feira (16/1). 

Conforme o documento, assinado pelo prefeito em exercício, Juliano Lopes, a medida institui o Dia Municipal da Parada do Orgulho LGBT, que será comemorado anualmente no terceiro domingo de julho a partir deste ano.

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Além de incluir a Parada no calendário oficial, a norma autoriza o poder público municipal a promover ações educativas e informativas ligadas à data. O objetivo é incentivar o respeito à diversidade, a promoção dos direitos humanos e o fortalecimento da cidadania da população LGBT.

Com a medida, a Parada do Orgulho LGBT deixa de ser apenas um evento organizado pela sociedade civil e passa a ser reconhecida oficialmente pelo município. A capital mineira já sediou 26 edições do evento, atualmente organizada pelo Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual e Identidade de Gênero (Cellos).

Como surgiu a Parada do Orgulho LGBT+?

A Parada do Orgulho LGBT surgiu da Rebelião de Stonewall, em Nova York, em 28 de junho de 1969, quando a comunidade LGBTQIAPN+ resistiu a uma batida policial violenta, marcando o início de uma luta por direitos e visibilidade, culminando na primeira marcha em 1970, que se tornou o evento anual que conhecemos hoje, comemorado mundialmente em junho.

O Stonewall Inn era um refúgio para a comunidade LGBTQIA+, que vivia sob forte repressão e leis que proibiam a homossexualidade e o comportamento "inapropriado" de gênero. Em 28 de junho de 1969, a polícia invadiu o bar, agredindo e prendendo frequentadores, especialmente pessoas trans, drag queens e jovens.

Desta vez, a comunidade não se calou; houve resistência, gritos de "orgulho gay" e "poder gay", e protestos que duraram dias, acendendo a chama do movimento moderno. Um ano depois, no primeiro aniversário de Stonewall, milhares de pessoas marcharam pela Rua Christopher, em Nova York, na primeira celebração do "Dia da Libertação Gay". O evento, com cartazes e beijos públicos, foi um protesto político, reivindicando direitos civis e visibilidade, e deu origem às paradas anuais em várias cidades.

No Brasil, a primeira Parada do Orgulho LGBT no ocorreu na Avenida Paulista, em São Paulo, em 1997. Com o tema "Somos Muitos, Estamos em Várias Profissões, Queremos Respeito", milhares de pessoas enfrentaram a invisibilidade e a discriminação. Assim como as origens, as paradas brasileiras são manifestações políticas, de resistência, visibilidade e celebração da cultura LGBTQIAPN+, apesar da festa e da música.

Inspirado no ato paulista, Belo Horizonte realizou a primeira parada no mesmo ano, como uma ação política de ativistas e do recém fundado Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (Cellos-MG). O objetivo principal era dar visibilidade às questões da comunidade e lutar pela ausência de políticas públicas, com a premissa de dizer "nós estamos aqui, nós existimos".

A edição inaugural de Belo Horizonte foi um evento modesto, com cerca de 100 participantes, mas carregado de simbolismo e reivindicações políticas. A princípio, o evento enfrentou desafios e, segundo relatos de participantes da época, foi inicialmente rotulado por alguns como apenas uma "festa", visão que os organizadores combateram, reforçando seu caráter de movimento político e de direitos humanos.

Desde então, a Parada cresceu exponencialmente e se transformou em um dos maiores eventos da cidade, chegando a reunir centenas de milhares de pessoas nas avenidas Afonso Pena e Brasil, na Região Centro-Sul. O evento evoluiu e incorporou diversas manifestações culturais afro-brasileiras, artistas locais e, mais recentemente, a inclusão de recursos de acessibilidade como tradutores-intérpretes de Libras e audiodescrição.

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