A partir deste ano, os tradicionais orelhões começam a ser retirados definitivamente das ruas brasileiras. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ainda existem cerca de 38 mil telefones de uso coletivo (TUPs) no Brasil, mas a maioria será desativada ao longo dos próximos meses.
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No entanto, a extinção não será imediata e nem total. Aproximadamente 9 mil orelhões deverão permanecer ativos em localidades onde não exista, ao menos, cobertura de telefonia móvel com tecnologia 4G. No entanto, esses equipamentos seguirão em funcionamento até, no máximo, 31 de dezembro de 2028, prazo estabelecido pela Anatel para garantir o serviço de telefonia em regiões mais isoladas.
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Segundo a agência reguladora, as empresas detentoras dos equipamentos assumiram o compromisso de manter a oferta de telecomunicações, inclusive por meio dos telefones públicos, em regime privado e utilizando as tecnologias disponíveis, sempre que forem as únicas prestadoras presentes na localidade. A maior parte dos TUPs ainda em operação está concentrada no estado de São Paulo. A localização dos aparelhos pode ser consultada no site da agência.
Com o encerramento dos contratos de permissão em 2025, Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica deixaram de ter obrigação legal de manter a infraestrutura de telefonia pública. A base mais ampla é da Oi, que ainda conta com 6.707 orelhões.
Vivo, Algar e Claro/Telefônica devem desligar suas redes ao longo deste ano, restando cerca de 2 mil orelhões sob responsabilidade dessas empresas. Outros 500 aparelhos pertencem à Sercomtel e estão localizados nos municípios de Londrina e Tamarana, no Paraná, podendo ser retirados apenas após adequações técnicas.
Há também orelhões cuja manutenção já não é obrigatória. Nesses casos, o desligamento pode ser solicitado diretamente às operadores ou à Anatel, por meio da central telefônica 1331 ou do portal oficial da agência.
Em 2020, o Brasil ainda possuía cerca de 202 mil orelhões espalhados pelas cidades. Atualmente, pouco mais de 33 mil estão telefones públicos estão ativos e cerca de 4 mil permanecem em manutenção. Para a Anatel, a redução é significado de uma mudança no perfil de consumo da população, devido à popularização dos celulares e da internet móvel.
Além disso, a agência determinou que as operadoras redirecionem os recursos para investimentos em infraestrutura de telecomunicações. Entre as exigências estão a implantação de redes de fibra óptica e de telefonia móvel, no mínimo 4G, em localidades sem cobertura, além da expansão do serviço em municípios, conectividade em escolas públicas, instalação de cabos submarinos e fluviais e construção de data centers.
Nostalgia
Durante décadas, os orelhões foram essenciais para a comunicação dos brasileiros, especialmente entre os anos 1970 e o início dos anos 2000. O equipamento servia para chamadas urgentes, encontros combinados e como único meio de contato fora de casa para milhões de pessoas. Expressões como “chamada a cobrar” e o som da ficha caindo tornaram-se parte da memória coletiva do país.
Criado em 1971 pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira, o orelhão, inicialmente chamado de Chu I e Tulipa, chamou atenção pelo design inovador e pela funcionalidade acústica, que reduzia ruídos externos e melhorava a qualidade das ligações. O modelo brasileiro foi reproduzido em países como Peru, Angola, Moçambique e China.
Mesmo com o avanço da tecnologia, o telefone público voltou recentemente ao imaginário popular ao aparecer no cartaz do filme O Agente Secreto, vencedor do Globo de Ouro e indicado pelo Brasil ao Oscar 2026. Na imagem, o personagem Marcelo, interpretado por Wagner Moura, surge dentro da icônica cabine oval que, agora, se despede das ruas.
