Pelo segundo dia consecutivo, a população foi às ruas nas capitais do país protestar pela morte do cão Orelha, ocorrida em Florianópolis, com o objetivo de cobrar a responsabilização e o endurecimento das leis de proteção animal. As mobilizações contaram com a presença de parlamentares, ativistas e artistas.
Orelha era um cão comunitário que morava na Praia Brava, Florianópolis, há pelo menos 10 anos. As pessoas do bairro se revezavam nos cuidados a ele e a outros dois cachorros. Em 4 de janeiro, o animal foi agredido e torturado por um grupo de quatro adolescentes, segundo as investigações da Polícia Civil.
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Em São Paulo, o protesto ocorreu na Avenida Paulista, na Região Central, com concentração em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp). A caminhada começou 30 minutos após a reunião inicial, e alguns participantes levaram seus cachorros. Além da responsabilização dos envolvidos, parte dos manifestantes também defendeu a redução da maioridade penal — atualmente fixada em 18 anos no Brasil — pois os suspeitos pela morte de Orelha são três adolescentes.
Cartazes com frases como "Justiça por Orelha" e "Lugar de assassino não é na Disney" marcaram o ato. Dois dos adolescentes suspeitos estavam nos Estados Unidos e retornaram ao país nesta semana. A primeira-dama da cidade de São Paulo, Regina Nunes, participou do protesto e compartilhou imagens nas redes sociais. "Os animais não falam, eu sou a voz deles", escreveu. A ativista Luisa Mell também esteve no local.
No Rio de Janeiro, a manifestação teve início às 10h, no Aterro do Flamengo, em frente ao Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial. Em Florianópolis, cidade onde Orelha foi morto, o protesto ocorreu no trecho da Avenida Beira-Mar Norte, no centro. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram manifestantes reunidos e entoando, em coro, pedidos de "justiça por Orelha".
Em Belo Horizonte, o ato começou por volta das 10h durante a Feira Hippie. Os participantes caminharam pela Avenida Afonso Pena até a Praça Sete, exibindo cartazes que defendem penas mais duras para maus-tratos aos animais. Assim como em outras cidades, alguns levaram seus pets.
No Sul do país, um grupo se reuniu no Parque da Redenção, em Porto Alegre, em manifestação convocada por uma ONG de defesa dos direitos dos animais. Também houve protestos em Caxias do Sul.
Também foram registradas manifestações em Vitória, onde manifestantes se concentraram na orla da Praia de Camburi, e na Região Norte, com mobilizações em Rio Branco e Belém. Na capital acreana, dezenas de pessoas se reuniram em frente ao Palácio Rio Branco, sede do governo estadual. Já na capital paraense, o protesto ocorreu diante do Mercado de São Brás.
No sábado, a mobilização ocorreu, em Brasília, ao lado do ParkDog, no Sudoeste, reunindo cerca de 300 manifestantes. A "cãominhada" foi liderada pela Associação ApDog e contou com apoio do Departamento de Trânsito (Detran) e da Polícia Militar, responsáveis pela segurança e ordem do trajeto.
As manifestações reuniram artistas, ativistas e políticos. A atriz Heloisa Perissé fez um apelo nas redes sociais para a adesão ao ato no Rio. "Infelizmente, pelo que percebi, isso é só a ponta de um iceberg de coisas tenebrosas que estão acontecendo por aí. Isso também é um pedido de alerta para ver o que estão fazendo com a cabeça dos jovens, com a humanidade", declarou.
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