Tradição e cultura

Por que os católicos não comem carne na quarta-feira de cinzas

Entenda o significado da data, a relação com a fé cristã e como o costume se manteve ao longo do tempo

Com o fim do carnaval, a quarta-feira de cinzas inaugura um novo ciclo no calendário cristão e marca o início da quaresma, período tradicionalmente associado à reflexão, à reorganização da vida cotidiana e à preparação espiritual para a Páscoa. E é nesse contexto que surge a prática misturada com tradição no Brasil de se evitar o consumo de carne na data.

O costume tem origem na prática da Igreja Católica, que recomenda a abstinência de carnes vermelhas e de aves na quarta-feira de cinzas como um gesto simbólico de disciplina, simplicidade e moderação. Não se trata de uma regra social, mas de uma orientação religiosa que, ao longo do tempo, foi incorporada à cultura e ao cotidiano de diferentes gerações.

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A base histórica dessa prática está ligada ao próprio sentido da quaresma, período de 40 dias que antecede a Páscoa e que, na tradição cristã, representa um tempo de preparação, reflexão e mudança de hábitos. Durante séculos, a carne foi associada à fartura, às celebrações e à abundância. Por isso, sua ausência em datas específicas passou a carregar um significado simbólico, ligado à ideia de renúncia, controle dos excessos e reorganização das prioridades.

Com o passar do tempo, esse gesto deixou de ser apenas um ato religioso e se transformou em um costume social. A tradição foi transmitida entre gerações, incorporada à rotina familiar e preservada mesmo entre pessoas que não mantêm uma relação direta com a fé. Assim, a abstinência de carne passou a funcionar também como um marcador cultural, não apenas espiritual.

Tradição religiosa e costume social

Hoje, a prática não se limita apenas a instituições religiosas. Em muitas casas, a quarta-feira de cinzas é marcada por refeições mais simples, com pratos à base de peixes, ovos, legumes, verduras e grãos. Restaurantes, mercados e estabelecimentos comerciais também adaptam os cardápios.

Para parte da população, evitar carne já não é um gesto religioso, mas uma tradição familiar, um costume herdado e um símbolo cultural. A data passa a representar mais do que uma orientação de fé, pois funciona como um marco de transição no calendário, sinalizando o encerramento do período de festas e o início de um novo ritmo de vida, associado à moderação, à reorganização da rotina e à mudança de comportamentos.

* Estagiária sob supervisão de Aline Gouveia

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