Machismo no Futebol

Governo repudia caso de machismo de jogador do Bragantino contra árbitra

Após repudiar homenagem a atletas do Vasco do Acre presos por estupro, ministérios das Mulheres e do Esporte voltam a se manifestar, desta vez contra declarações machistas de jogador do Bragantino direcionadas à árbitra Daiane Muniz

Pelo segundo dia consecutivo, o Governo Federal se pronunciou sobre episódios de violência e desrespeito contra mulheres no futebol brasileiro. Após a manifestação conjunta dos ministérios das Mulheres e do Esporte, no último sábado, em repúdio a uma homenagem a atletas do Vasco do Acre investigados por estupro durante partida da Copa do Brasil, as pastas voltaram a se posicionar neste domingo (22/2), desta vez diante de declarações machistas feitas após o confronto entre Red Bull Bragantino e São Paulo.

Em nota, os ministérios das Mulheres e do Esporte condenaram as falas do zagueiro Gustavo Marques, do Bragantino, dirigidas à árbitra Daiane Muniz ao fim da partida. Na entrevista, o jogador questionou a presença de uma mulher na arbitragem de um jogo “desse tamanho” e insinuou falta de honestidade na condução da partida, associando a atuação da árbitra ao fato de ela ser mulher.

Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular

A declaração provocou reação imediata. O Red Bull Bragantino divulgou comunicado oficial reforçando pedido de desculpas à árbitra e a todas as mulheres, afirmando que não compactua com manifestações machistas. O clube informou ainda que o atleta foi ao vestiário da arbitragem para se desculpar pessoalmente e que a diretoria estuda a aplicação de punição disciplinar.

Também em nova manifestação pública, Gustavo Marques afirmou estar arrependido, pediu perdão “a todas as mulheres do mundo” e disse ter procurado a equipe de arbitragem para se retratar.

No posicionamento oficial, o Governo classificou o caso como “mais um absurdo episódio de machismo no futebol brasileiro” e manifestou solidariedade à árbitra Daiane Muniz, destacando sua qualificação profissional nos quadros da FPF, CBF e FIFA. As pastas ressaltaram que a competência de uma profissional não pode ser questionada por sua condição de mulher e afirmaram que um homem na mesma posição não teria sua autoridade deslegitimada por seu gênero. “O respeito às mulheres é inegociável. Mulher deve estar onde ela quiser — no campo, na arbitragem, na gestão, na imprensa ou em qualquer outro espaço. Ser mulher não diminui competência, autoridade ou capacidade”, diz trecho da nota.

Os ministérios informaram ainda que acompanharão os desdobramentos na Justiça Desportiva e reafirmaram o compromisso com a promoção da igualdade e o enfrentamento a qualquer forma de discriminação no esporte brasileiro.

Mais Lidas