Assédio sexual

CNJ ouve quinta denúncia contra desembargador

Seis mulheres e um homem procuraram o gabinete da deputada Duda Salabert para denunciar supostos abusos do magistrado

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ouviu, na noite desta quinta-feira (26/2), a quinta vítima que acusa o desembargador Magid Nauef Láuar, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), de assédio sexual. A informação foi confirmada pela deputada federal Duda Salabert (PDT-MG), que acompanha o caso. Segundo ela, são seis mulheres e um homem.

O desembargador passou a ser alvo de questionamentos públicos após inocentar um homem de 35 anos condenado em primeiro instância por manter relações sexuais com uma menina de 12 anos, em Minas Gerais. A decisão provocou ampla repercussão nacional e levou a manifestações de parlamentares, entidades da sociedade civil e organizações de defesa dos direitos da criança e do adolescente. Após o caso ganhar destaque na imprensa, denúncias de assédio atribuídas ao magistrado começaram a surgir nas redes sociais.

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A primeira acusação pública foi feita pelo ator Saulo Láuar, primo em terceiro grau do desembargador. Em publicação nas redes sociais, ele relatou que, aos 14 anos, foi alvo de uma tentativa de abuso. “Eu consegui fugir, por isso não aconteceu, mas guardei essa dor por todos esses anos. Quando vi a história da menina, a ferida se abriu”, escreveu ele.

Nos comentários da mesma postagem, uma mulher também afirmou ter sido vítima do desembargador. “Na época, eu e minha irmã trabalhávamos para a família dele”, relatou. O Correio entrou em contato com Saulo Láuar.

“Chegaram até nós, por meio do nosso canal de atendimento, mais denúncias, e todas se configuram como assédio. Não se materializou o ato sexual em si, mas foram tentativas, com toques e beijos”, disse a deputada, que disponibilizou a estrutura do gabinete, na Câmara dos Deputados, para monitorar o caso.

Salabert explicou que, por questão de segurança, dados como nomes e idades estão sendo preservados para evitar retaliações. “O primeiro passo foi preservar as identidades para que elas não sejam revitimizadas, porque toda vez que uma vítima vai contar, ela acessa episódios traumáticos. Também optamos por não divulgar os nomes para evitar perseguição, já que estão denunciando um nome forte do Judiciário”, afirmou.

Ainda segundo a deputada, o mandato também articula apoio com organizações do terceiro setor especializadas nesse tipo de atendimento, com o objetivo de garantir acompanhamento psicológico às vítimas e às pessoas envolvidas no acolhimento inicial dos relatos. O gabinete da parlamentar também está oferecendo assessoria jurídica para as vítimas que precisarem.

O Correio entrou em contato com o CNJ, que não confirmou o depoimento da quinta vítima nem o número total de denunciantes, pois o processo está em sigilo por envolver menor de idade.

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