A parcela de brasileiros que avalia que a situação econômica do país piorou nos últimos meses aumentou, segundo pesquisa do Datafolha divulgada na última terça-feira (10/3). O índice passou de 41% em dezembro de 2025 para 46% em março deste ano.
O levantamento indica uma mudança na percepção da população em relação à economia, revertendo parcialmente a melhora observada no final do ano passado. O aumento do pessimismo ocorre mesmo em um cenário de indicadores econômicos como desemprego em nível mínimo histórico e desaceleração da inflação.
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Por outro lado, o percentual de entrevistados que avaliam que a economia melhorou caiu de 29% para 24% no mesmo período.
A pesquisa mostra aumento do pessimismo em relação ao futuro da economia. Atualmente, 35% dos entrevistados acreditam que a situação econômica do país deve piorar nos próximos meses. Em dezembro, essa expectativa era de 21%.
Em julho do ano passado, esse percentual chegou a 45%. Já a expectativa de melhora passou por oscilações ao longo do período: era de 28% em julho, subiu para 46% em dezembro e recuou para 30% no levantamento mais recente.
O otimismo varia entre diferentes grupos da população. Entre pessoas com renda de até dois salários mínimos, 33% acreditam em melhora da economia, enquanto entre aqueles com renda acima de dez salários mínimos o índice cai para 11%.
Regionalmente, a expectativa positiva é maior no Nordeste, com 36%, do que no Sudeste, onde o índice é de 25%. Também é mais elevada entre pessoas pretas (32%) e pardas (31%) do que entre brancos (26%). Entre os recortes religiosos, 33% dos católicos demonstram otimismo, ante 23% entre evangélicos.
O resultado atual se mantém em um patamar intermediário dentro da gestão do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O melhor índice foi registrado em três pesquisas realizadas em 2023, quando 35% afirmavam que a situação havia piorado. Já o pior resultado ocorreu em abril de 2025, quando a percepção negativa chegou a 55%. Haddad deve deixar o cargo na próxima semana para disputar o governo de São Paulo.
Diferenças por preferência eleitoral
A pesquisa aponta diferenças significativas nas expectativas econômicas de acordo com a preferência eleitoral. Entre os potenciais eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 51% acreditam que a economia vai melhorar.
Entre aqueles que dizem pretender votar em Flávio Bolsonaro, apenas 14% compartilham dessa expectativa. O índice é de 16% entre apoiadores de Romeu Zema e de 17% entre eleitores de Ratinho Junior.
O levantamento também indica aumento na percepção de que o desemprego deve crescer. Para 48% dos entrevistados, a taxa de desocupação vai aumentar nos próximos meses. No levantamento anterior sobre o tema, realizado em junho do ano passado, o índice era de 42%.
O resultado atual representa o maior percentual registrado no atual mandato presidencial, embora esteja dentro da margem de erro em relação aos 46% observados em setembro de 2023 e março de 2024.
Já 21% dos entrevistados acreditam que o desemprego vai cair, percentual semelhante ao registrado em junho (22%). Esse é o menor índice da série no atual governo, empatado com o resultado de abril do ano passado.
Expectativa sobre inflação
A percepção de aumento da inflação permanece elevada. De acordo com a pesquisa, 61% dos brasileiros acreditam que os preços vão subir nos próximos meses. O percentual tem se mantido próximo desse patamar ao longo do último ano: era de 62% em abril e de 59% em junho de 2025.
A parcela dos que acreditam em queda da inflação diminuiu. O índice era de 14% em abril, caiu para 12% em junho e chegou a 11% na pesquisa mais recente. Já 23% avaliam que a inflação deve permanecer estável, ante 24% no levantamento anterior.
Entre grupos específicos, a percepção de piora econômica chega a 57% entre evangélicos e a 41% entre católicos. O índice atinge 77% entre eleitores de Flávio Bolsonaro e 14% entre os que declaram intenção de voto em Lula.
A margem de erro é de três pontos percentuais para o público católico e de quatro pontos para evangélicos e para eleitores de Lula e Bolsonaro.
O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios do país entre os dias 3 e 5 de março. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
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