O presidente da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF), Tácio Melo, falou sobre a PEC da Segurança Pública, durante participação na edição desta quarta-feira (11/3), do CB.Poder — uma parceria entre Correio e TV Brasília.
Em entrevista às jornalistas Denise Rothenburg e Sibele Negromonte, Tácio destacou que, desde 1988, não havia uma reforma tão ampla no setor. Segundo ele, o encaminhamento do texto do governo federal já foi importante por si só.
“O texto, da forma como chegou, não era o melhor, tanto que foram feitas várias mudanças, mas tem que parabenizar o governo por pelo menos encaminhar essa PEC. Foram feitas diversas mudanças do que éramos contra e conseguimos alterar o texto conversando com o parlamento e com o relator, deputado Mendonça Filho (União-PE).”
Tácio Melo afirmou que o resultado final do texto foi positivo para a FenaPRF, pois ampliou as atribuições da Polícia Rodoviária Federal, mostrando o reconhecimento do trabalho de “excelência” realizado pelos patrulheiros federais.
Ainda segundo ele, as novas atribuições dadas à PRF ampliam as funções dos rodoviários federais, que antes eram responsáveis pelo patrulhamento das rodovias e estradas federais e agora farão o policiamento ostensivo nas rodovias, ferrovias e hidrovias.
“Isso dá uma garantia jurídica para os policiais rodoviários federais que participam de operações fora das estradas ou ferrovias ou hidrovias. O que acontecia antes, até pelo trabalho de excelência, é que a PRF fazia várias operações conjuntas com outras forças de segurança e depois havia muito questionamento jurídico do porquê o agente estar operando fora da rodovia. O governo entendia de uma forma, o ministro de outra, fazendo com que o funcionário respondesse até mesmo de maneira penal.”
Efeito insuficiente
Sobre o efetivo de 13 mil policiais federais de estrada atuando hoje, o dirigente alagoano destacou que o número não é suficiente para cobrir todo o território nacional. Com ampliação para as ferrovias e hidrovias, inclusive, serão necessários novos concursos nos próximos anos para que ingressem na PRF, no mínimo, 5 mil novos agentes.
“A PRF já vem se planejando para no primeiro momento possível solicitar o ingresso de novos policiais, pois é muito difícil lotar policiais nas fronteiras, as fronteiras secas são imensas. Então, imagine a amplitude do trabalho que vamos ter quando formos policiar as fronteiras com rios. Se já não é suficiente hoje, imagine daqui a um tempo”, argumentou.
O representante da FenaPRF também abordou o orçamento da PRF, que é de R$ 780 milhões, "valor menor do que o de dois anos atrás". Segundo Tácio, esse montante não é suficiente e a classe precisa de incremento orçamentário e de uma maior valorização do profissional de segurança pública.
Assista à entrevista completa
*Estagiário sob a supervisão de Carlos Alexandre de Souza
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