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'Grande sertão: veredas': os 70 anos de um livro encantado

A partir da terra natal de João Guimarães Rosa, Cordisburgo, as marcas deixadas pelo escritor e origens do maior romance da literatura brasileira do século 20

Monumento em Cordisburgo faz referência à obra-prima do filho mais ilustre, João Guimarães Rosa, retratado diante de vaqueiros, e estabelece um portal para o riquíssimo universo rosiano
 -  (crédito: Edesio Ferreira/EM/D.A Press)
Monumento em Cordisburgo faz referência à obra-prima do filho mais ilustre, João Guimarães Rosa, retratado diante de vaqueiros, e estabelece um portal para o riquíssimo universo rosiano - (crédito: Edesio Ferreira/EM/D.A Press)

Da primeira palavra, “Nonada”, à última, “Travessia”, a obra-prima atravessa o tempo sem perder força, profundidade, beleza, vigor e, principalmente, emoção. E chega à atualidade inteira, em corpo e alma. “Grande sertão: veredas”, de João Guimarães Rosa (1908-1967), completa sete décadas de lançamento com fôlego suficiente para alcançar a eternidade e seduzir futuras gerações. Mas há outros motivos para se homenagear, neste ano, o escritor natural de Cordisburgo, na Região Central de Minas. Em 2026 são também comemorados os 70 anos de “Corpo de baile”, 80 de “Sagarana”, e 90 do pioneiro “Magma”, premiado, em 1936, pela Academia Brasileira de Letras (ABL).

Sempre é hora de conhecer os extraordinários escritos de Rosa e saber mais sobre a vida do mineiro que saiu criança da terra natal para morar em Belo Horizonte, onde se formou em medicina. Depois, conheceu o mundo trabalhando como diplomata até ser eleito para a ABL em 1963 – tomou posse em 1967, três dias antes de falecer, no Rio de Janeiro (RJ). Diante do tão vasto currículo e ricas experiências, impossível não querer saber sobre as origens do autor, o nascedouro do “Grande sertão”, a gênese do livro traduzido em vários idiomas e transformado em filme, peça de teatro, minissérie de televisão, documentário, além de matéria-prima para belas canções.

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A fim de encontrar respostas, a equipe do Estado de Minas foi a Cordisburgo, diretamente ao imóvel de número 744 da Rua Padre João. Foi lá que o escritor, apelidado Joãozito na infância, morou com a família até os 9 anos. Pelo endereço, passaram outros proprietários e locatários até que o lugar se tornou, em 30 de março de 1974, Museu Casa Guimarães Rosa, tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG) e vinculado à Secretaria de Estado da Cultura e Turismo (SecultMG). Dos tempos de meninice do escritor, restaram o fogão a lenha na cozinha e o tabuado do piso, conforme mostra o coordenador do equipamento cultural, Ronaldo Oliveira. 

Há 24 anos no posto, Ronaldo anuncia atividades que valorizam ainda mais o legado do conterrâneo ilustre. E envolvem crianças e adolescentes. Ainda em 2026, são festejadas três décadas do Grupo de Contadores de Estórias Miguilim, projeto educativo formado por 20 jovens (há mais 20 sendo preparados) de Cordisburgo, que recebem os visitantes na Casa Museu (@museuguimaraesrosa) narrando trechos dos livros, dos quais há exposição das primeiras edições. São eles também que trazem à luz personagens eternizados nas páginas, entre eles Riobaldo, Diadorim, Augusto Matraga, Manuelzão e, claro, Miguilim. 

Na 38ª Semana Rosiana, de 5 a 12 de julho, as reverências à memória estarão completas, com vozes, palavras e atenção direcionadas à vida e obra do autor. 


BIOGRAFIA 

Importante destacar duas referências literárias. Do jornalista e historiador Leonencio Nossa, acaba de ser lançado “João Guimarães Rosa – Biografia”(Topbooks e Nova Fronteira). Já a biografia escrita pelo professor Gustavo de Castro, da Universidade de Brasília (UnB), será publicada pela Companhia das Letras. 

Então, com respeito, admiração e sede de conhecimento, vamos mergulhar no universo rosiano e emergir com histórias para contar. Travessia sem risco e limite, guiada pelo amor de Guimarães Rosa às palavras. 

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CELEBRAÇÃO DE QUATRO OBRAS

Conheça os livros que são destaque em 2026

1) “Grande sertão: veredas” completa 70 anos de lançamento. Clássico da literatura brasileira, com mais de 600 páginas, traz o jagunço Riobaldo narrando sua saga, que inclui a descoberta do amor por Diadorim, colega de bando.

2) “Corpo de baile”, também lançado em 1956, é um livro composto por sete novelas ambientadas no sertão mineiro. Estão na obra personagens marcantes, a exemplo do vaqueiro Manuelzão e o menino Miguilim.

3) “Sagarana” chega aos 80 anos e tem uma curiosidade no nome: une “saga”, radical de origem germânica que significa “canto heroico”, e “rana”, palavra de origem tupi “que exprime semelhança”. Na obra, está o conto “A hora e a vez de Augusto Matraga”, que já virou filme e, há dois anos, ópera (“Matraga”) produzida pela Fundação Clóvis Salgado/Palácio das Artes.

4) “Magma”, de 1936, é um livro de poesias premiado pela Academia Brasileira de Letras. Guimarães Rosa assinou a obra com o pseudônimo Viator. Só foi publicado em 1997, 30 anos após a morte do escritor.


PARA NÃO PERDER

Em Cordisburgo

De 5 a 12 de julho, no Museu Casa Guimarães Rosa (Rua Padre João, 744): 38ª Semana Rosiana, tradicional evento literário com atividades centradas na vida e obra do escritor. O ponto alto da programação da Semana Rosiana está na narração de estórias, escritas por Guimarães Rosa, pelo Grupo Miguilim

Ao longo do ano, especialmente nos fins de semana, o Grupo Miguilim se apresenta no museu, das 9h30 às 17h. O Museu Casa Guimarães Rosa funciona de terça a domingo, das 9h30 às 17h. No último domingo do mês, no Natal, réveillon e carnaval, fica fechado.

 


 

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GW
postado em 11/04/2026 08:41
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