SERVIÇO PÚBLICO

'IA é complemento, não substituição', afirma executivo do Google

Google.org anunciou um investimento de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5 milhões) destinado ao Instituto Motriz.

A inteligência artificial (IA) começa a ganhar espaço na administração pública brasileira, mesmo ainda em estágio inicial, e promete acelerar tarefas repetitivas e complexas. Segundo Milton Burgese, diretor sênior para o setor público do Google Cloud na América Latina, o país vive “o pior estágio da IA”, mas a tecnologia tende a se aprimorar rapidamente, oferecendo novas possibilidades para o serviço público.

Embora a adoção ainda seja limitada, o uso da tecnologia busca enfrentar gargalos históricos de burocracia e baixa produtividade. Para impulsionar esse processo, foi anunciado um aporte de US$ 1 milhão ao Instituto Motriz, que coordenará um programa de capacitação para 5 mil servidores em fundamentos de IA ao longo de dois anos.

“Na nossa visão, a IA realmente vem para ser um complemento tecnológico. Ela pode ser utilizada em áreas onde faltam profissionais, trazendo agilidade e expansão do conhecimento”, afirma Burgese. O executivo descarta a substituição em massa de trabalhadores e afirma que o objetivo é que os servidores possam se dedicar a “atividades que são mais nobres” e menos repetitivas.

Apesar do interesse espontâneo dos servidores — 83% consideram a IA eficaz —, há um gargalo de recursos. A pesquisa Índice Global de Adoção de IA para Serviços Públicos indica que mais de 60% dos servidores brasileiros relatam que seus ambientes de trabalho não oferecem ferramentas adequadas para uso efetivo da tecnologia.

Formação técnica e prática

Para acelerar a adoção da tecnologia no serviço público brasileiro, o Google.org anunciou um investimento de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5 milhões) destinado ao Instituto Motriz. O aporte financiará um programa de dois anos que vai capacitar 5 mil servidores públicos em fundamentos de IA.

A iniciativa, prevista para começar no início do segundo semestre, inclui também bolsas para 200 recém-formados atuarem na administração pública e mentoria para 400 lideranças seniores.

O programa busca migrar do uso informal da IA para um ambiente corporativo seguro. Burgese enfatiza: “Os dados são de propriedade das instituições, não são de propriedade do Google”, garantindo soberania e segurança das informações sensíveis do Estado.

A capacitação será dividida em três níveis, do entendimento básico da tecnologia à otimização de prompts e criação de agentes de IA. Os cursos serão ministrados em português na plataforma Escola Virtual do Governo (EV.G).

Além do investimento direto no Brasil, o Google lançou o Desafio de Impacto Global para Inovação Governamental, com fundo de US$ 30 milhões para projetos que usem IA generativa na transformação de serviços públicos em todo o mundo, com inscrições abertas até abril de 2026.

Mais Lidas