JUSTIÇA

Suspeito de matar advogado na porta de fórum é condenado a 31 anos

Crime foi motivado por desentendimento entre cliente e vítima, segundo investigações

Diego Caldeira Hastenreter, acusado de executar o advogado Pedro Cassimiro Queiroz Mendonça, em maio de 2024, em Ibirité (MG), na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi condenado a 31 anos de prisão em regime inicialmente fechado. O julgamento terminou às 23h dessa quarta-feira (15/4).

De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), o réu teve a prisão preventiva mantida, para garantia da ordem pública e aplicação da lei penal. O crime aconteceu no dia 27 de maio de 2024, nas proximidades do Fórum de Ibirité. O advogado, que tinha 40 anos, foi morto em uma emboscada.

Segundo as investigações, o autor era cliente da vítima e já possuía extensa ficha criminal, sendo foragido por outros quatro homicídios e uma tentativa, além de envolvimento com o tráfico de drogas. Ainda conforme a apuração, o assassinato foi motivado por um desentendimento relacionado ao valor de honorários advocatícios.

"O suspeito manteve contato na data do crime e, cerca de uma hora antes, marcou um encontro para que os desentendimentos fossem resolvidos. A Polícia Civil concluiu que se tratava de uma emboscada. O advogado se encaminhou para o restaurante e foi morto", disse na época o superintendente de Investigação e Polícia Judiciária (SIPJ), Júlio Wilke.

Diego Caldeira Hastenreter, conhecido como "Guerreiro", foi preso em Papagaios (MG), na Região Centro-Oeste do estado. Segundo a polícia, ele disparou cerca de 30 tiros de pistola 9 mm na vítima em um local já premeditado. As investigações também concluíram que ele agiu sozinho.

Histórico

De acordo com a PCMG, "Guerreiro" respondia por quatro homicídios consumados e uma tentativa, além de ter diversas passagens policiais, como porte de armas e envolvimento com o tráfico de drogas. A ficha criminal dele com os registros das passagens pela polícia tem 19 folhas. Há quatro anos, "Guerreiro' estava foragido utilizando documentos falsos. Agora, ele pode cumprir pena de 12 a 30 anos.

O advogado assassinado atuava em sete processos contra Diego "Guerreiro" e defendia pessoas da família dele que também tinham envolvimento criminoso na Região do Barreiro, em Belo Horizonte.

Segundo as investigações, antes de ser assassinado o advogado enfrentava questões pessoais. Ele passava por uma separação conjugal e estava fazendo uso abusivo de bebidas alcoólicas, o que o teria deixado mais impaciente e agressivo. De acordo com a polícia, esse contexto pode ter impactando no tratamento dos clientes e intensificado os atritos.

O crime

No dia do crime, o advogado tinha saído para o horário de almoço e foi flagrado por uma câmera de segurança posicionada na rua dos fundos do Fórum de Ibirité, fumando cigarro e checando seu telefone celular. Pouco depois, várias pessoas são vistas correndo do que seria o momento dos disparos que o mataram. A execução ocorreu fora da área de visão da câmera.

A polícia afirma ter encontrado 30 cápsulas de munição 9 milímetros na cena do crime. Dois dias depois, o carro suspeito de ter sido utilizado no crime, um Fiat Pálio roubado no dia 16 de abril, em Matozinhos (MG), foi abandonado e incendiado em Betim (MG). O veículo estava com placas clonadas.

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