Saúde

SUS incorpora membrana amniótica para tratar diabetes e doenças oculares

Tecnologia com ação cicatrizante e anti-inflamatória pode acelerar a recuperação de feridas e beneficiar mais de 860 mil pacientes por ano

O Ministério da Saúde anunciou, nesta quinta-feira (16/4), a ampliação do uso da membrana amniótica no Sistema Único de Saúde (SUS). Coletado durante o parto, o tecido é utilizado na medicina regenerativa por suas propriedades anti-inflamatórias e cicatrizantes, contribuindo para reduzir complicações no tratamento de diversas doenças.

A tecnologia passou a ser indicada para transplantes em casos de feridas crônicas, pé diabético e alterações oculares. A expectativa é de que mais de 860 mil pacientes sejam beneficiados anualmente com o uso do tecido.

De acordo com a Jamilly Drago, médica da clínica Metasense, o uso da tecnologia é importante pois serve como recurso complementar, principalmente nas complicações da diabetes, como as feridas do pé diabético. “Eu diria que não é um tratamento da diabetes em si, mas é uma ferramenta valiosa para reduzir o impacto de uma das complicações mais graves da doença”, ressaltou.

No pé diabético, a técnica pode acelerar em até duas vezes a cicatrização das feridas, em comparação aos curativos padrão. No SUS, ela já é utilizada no tratamento de queimaduras extensas desde 2025. Já no cuidado de alterações oculares — como nas pálpebras, glândulas lacrimais e cílios —, o tecido auxilia na cicatrização, pode reduzir a dor e contribuir para a recuperação da superfície ocular.

O novo curativo também contribui para reduzir o risco de novas lesões e melhorar a qualidade da visão, sendo uma alternativa eficaz, especialmente em casos mais graves ou resistentes aos tratamentos convencionais, como glaucoma, queimaduras oculares, inflamações, perfurações e úlceras da córnea.

Drago explica que a membrana amniótica não funciona só como cobertura, ela oferece uma espécie de “suporte biológico” para a reparação do tecido, ajudando a reduzir a inflamação local, favorecendo a migração e a regeneração celular, protegendo a área lesionada e contribuindo para um ambiente de cicatrização mais organizado.

“O grande diferencial é que ela vai além da proteção mecânica da ferida. Curativos convencionais são fundamentais, mas muitos deles atuam principalmente cobrindo, protegendo e controlando umidade e secreção”, afirmou. 

Para a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri, a incorporação de tratamentos inovadores no SUS coloca o Brasil em posição de destaque no uso de tecnologias regenerativas no mundo, além de ampliar o cuidado aos pacientes na rede pública de saúde.

“Estamos garantindo mais opções terapêuticas para a assistência, beneficiando pacientes com uma chance de recuperação mais ágil, com a redução das possíveis complicações e infecções. Isso significa menos internações prolongadas, menores custos hospitalares e mais qualidade de vida”, destacou. 

*Estagiário sob supervisão de Rafaela Gonçalves 

 

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