Policiais civis da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) deflagraram, nesta quarta-feira (29/04), uma ação para desarticular o braço financeiro do Comando Vermelho, responsável pela movimentação e ocultação de recursos oriundos do tráfico de drogas. São cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão em endereços ligados os envolvidos em Jacarepaguá e na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Até o momento, uma pessoa foi presa. Segundo o g1, rapper Oruam, a mãe e um irmão estão entre os alvos.
A ação faz parte de mais uma fase da Operação Contenção, e é resultado de um trabalho investigativo conduzido ao longo de cerca de um ano, que permitiu identificar e mapear a engrenagem financeira utilizada pela organização criminosa. As apurações tiveram como base a análise de dados extraídos de dispositivos eletrônicos apreendidos, além do cruzamento de informações telemáticas e financeiras.
As investigações revelaram um sistema estruturado de recebimento, pulverização e reinserção de valores ilícitos no circuito econômico formal. Segundo a polícia, recursos provenientes do tráfico eram repassados por lideranças da facção a operadores financeiros, que realizavam a fragmentação dos valores por meio de contas de terceiros, além de utilizá-los para pagamento de despesas, aquisição de bens e ocultação patrimonial.
Também foram identificadas movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos investigados, evidenciando a origem ilícita dos recursos. A apuração apontou ainda a atuação coordenada de diversos integrantes, incluindo operadores responsáveis por intermediar transações sucessivas com o objetivo de dificultar o rastreamento do dinheiro.
A investigação identificou diálogos entre Carlos Costa Neves, conhecido como “Gardenal”, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho, e um miliciano. As conversas reforçam a influência de Márcio dos Santos Nepomuceno, o “Marcinho VP”, como liderança central da facção, mesmo após anos de encarceramento.
As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos, possíveis empresas utilizadas na lavagem de dinheiro e beneficiários indiretos dos recursos ilícitos.
