
A Polícia Federal abriu inquérito para apurar as suspeitas de descaminho ou contrabando em um voo de uma aeronave pertencente a Fernando Oliveira Lima, o Fernandim OIG, que atua no ramo de apostas on-line. A investigação, porém, foi remetida ao Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que a PF constatou que o empresário esteve acompanhado na viagem pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) e pelos deputados Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).
O inquérito chegou nesta semana à Corte e foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes, que remeteu para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre se há indício de crime. Fernandim OIG foi investigado na CPI das Bets do Senado, cujo relatório final, elaborado pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), terminou rejeitado por 4 x 3. Ele é dono de uma rede de empresas ligadas aos jogos on-line, inclusive o famoso "jogo do tigrinho".
A aeronave em que estavam os parlamentares — um luxuoso Gulfstream G650, prefixo PP-OIG — realizou o voo entre a ilha de Saint Martin, paraíso fiscal caribenho, e a cidade de São Roque (SP), onde pousou na noite de 20 de abril de 2025 no aeroporto de Catarina, usado pela aviação executiva. Nesse período, a CPI das Bets estava em pleno funcionamento e contava com a participação de Ciro Nogueira.
A suspeita de contrabando ou descaminho surgiu a partir de uma investigação da PF sobre a corrupção do auditor-fiscal Marco Antônio Canella, indiciado em outro inquérito por facilitação aos mesmos dois crimes. No caso do voo dos parlamentares, o funcionário da Receita Federal permitiu que o piloto do jato de Fernandim OIG, José Jorge de Oliveira Júnior, passasse com sete volumes de bagagem por fora do raio X. As câmeras de segurança da aduana flagraram a ilegalidade.
O caso tramitava na 1ª Vara Federal de Sorocaba (SP), mas foi enviado ao STF em 18 de março por envolver pessoas com prerrogativa de foro. Os donos do material que passou fora do pórtico do raio X não foram identificados. O que chamou a atenção da PF é que o voo era proveniente de um paraíso fiscal e o auditor-fiscal fora indiciado por crimes de facilitação ao contrabando e descaminho, daí porque há a suspeita de que o conteúdo das bagagens seja ilegal.
Relatório
A constatação de que Motta, Ciro, Isnaldo e Luizinho estavam no mesmo voo veio na investigação da PF. Os quatro passaram seus pertences pelo procedimento normal de raio X. Relatório parcial da corporação observa que a continuidade das apurações pode indicar o envolvimento de algum deles nos crimes — daí porque seria o envio do caso ao STF.
Por nota, Motta afirmou que cumpriu todos os protocolos ao desembarcar e que aguardará manifestação da PGR. O Correio entrou em contato com a assessoria de Ciro — que, aliás, viajara em outra aeronave de Fernandim OIG, em outra ocasião —, que afirmou que ainda não tinha resposta sobre o assunto. Já a assessoria de Luizinho disse que ele não comentaria o assunto. A equipe de Isnaldo não respondeu às tentativas de ouvi-lo.
O Correio também procurou o piloto e o auditor fiscal, mas deles não obteve retorno até o fechamento desta edição.
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