Saúde pública

Butantan já pode fabricar vacina contra chikungunya

Uso do imunizante havia sido liberado pela agência reguladora no ano passado, mas a fabricação estava sob responsabilidade de uma farmacêutica franco-austríaca. A eficácia, segundo testes, chega perto de 100%

Vacina contra chikungunya do Butantan será mais barata para o SUS -  (crédito: Instituto Butantan/Divulgação)
Vacina contra chikungunya do Butantan será mais barata para o SUS - (crédito: Instituto Butantan/Divulgação)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta segunda-feira (4/5), a fabricação local da vacina contra chikungunya desenvolvida pelo Instituto Butantan, de São Paulo. A versão brasileira do imunizante XCHIQ, desenvolvida em parceria coma indústria farmacêutica franco-austríaca Valneva, teve o uso liberado em todo o Brasil e, com a aprovação da agência reguladora, já pode ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo a Anvisa, a vacina é indicada para prevenir a doença em pessoas de 18 a 59 anos "que estejam em risco aumentado de exposição ao vírus chikungunya". O imunizante havia sido aprovado pela agência reguladora em abril do ano passado, mas a produção em escala estava sob responsabilidade das fábricas da Valneva. Com a decisão de ontem, o Instituto Butantan "passa a ser oficializado como local de fabricação e pode desenvolver parte do processo produtivo em suas fábricas, mantendo os mesmos padrões de qualidade, segurança e eficácia", informou a agência.

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Na prática, a vacina produzida em São Paulo é igual à que sai das linhas de produção da Valneva, mas com formulação e envase feitos pela instituição brasileira. Isso significa um produto mais barato para o SUS e com garantia de fornecimento. "Ao executar a maior parte do processo de fabricação, o Instituto Butantan, por ser uma instituição pública, poderá entregar a vacina com um preço menor e mais acessível, com a mesma qualidade e segurança", assegurou o diretor do Instituto Butantan,Esper Kallás.

A XCHIQ foi a primeira vacina contra chikungunya registrada no mundo. O imunizante já foi aprovado por outras autoridades internacionais, como a Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, e a Agência Europeia de Medicamentos (EMA). Nos EUA, 4 mil voluntários (entre 18 e 65 anos) receberam o imunizante. De acordo com os resultados publicados na revista especializada em saúde The Lancet, em 2023, 98,9% dos participantes produziram anticorpos neutralizantes. A droga é contraindicada para gestantes e pessoas imunodeficientes ou imunossuprimidas.

A doença

A chikungunya é uma arbovirose transmitida pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue. Só no ano passado, 620 mil pessoas foram contaminadas em todo o planeta, segundo balanço da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). No Brasil, mais de 127 mil casos —com 125 mortes — foram registrados, de acordo com o Ministério da Saúde.

 

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postado em 04/05/2026 22:02
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