
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo, em conjunto com a Receita Federal e o Ministério Público, deflagrou nesta quinta-feira (28/05) a segunda fase da Operação Carbono Oculto.
Chamada de Fluxo Oculto, objetivo principal da ação é apurar o controle exercido pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) sobre o setor de combustíveis no país.
Ao todo, os agentes cumprem 55 mandados de busca e apreensão, que estão sendo executados simultaneamente em quatro estados: São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Os alvos centrais desta fase são empresários do setor, operadores logísticos e "laranjas" utilizados pela organização criminosa para ocultar o patrimônio e lavar o dinheiro de origem ilícita.
A primeira fase da Operação Carbono Oculto foi deflagrada em agosto de 2025, quando as autoridades começaram a mapear a complexa rede financeira que interliga o mercado de combustíveis ao crime organizado.
De acordo com o Ministério Público, após a deflagração da 1ª fase da Operação Carbono Oculto, foram descobertas mais seis fintechs que atuavam como bancos paralelos da organização criminosa.
Veja lista:
- Ceopag Instituição de Pagamento, Ceopar, Fundopay S.A. e XBR Participações
- America Payment S.A
- Sispay Instituição de Pagamento, Vpay Instituição de Pagamento e May Servex Negócios Imobiliários
- Smart Solutions Instituição de Pagamento e Smart Safe Locação e Processamento de Dados
- YAW Instituição de Pagamento S.A
- Ello Gestora de Recursos Ltda
As investigações apontam que essas empresas compunham um poderoso núcleo financeiro, sendo utilizadas para compensações financeiras internas entre diversas distribuidoras e postos de combustíveis, compensações financeiras entre empresas e fundos de investimentos administrados pela organização criminosa, pagamentos de colaboradores e pagamentos de gastos e investimentos pessoais dos principais operadores.
Em outra frente, o MPSP denunciou núcleo envolvido com o desvio de nafta petroquímico para terminais e postos de combustível. Apuração conjunta com a ANP revelou robusta estrutura de falsidades, com simulada venda de solventes para empresas-fantasma.
A denúncia descreve estrutura criminosa criada para a abertura serial de empresas nos mais diversos estados do país. Os denunciados utilizavam parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos para constituir pessoas jurídicas que supostamente adquiriam solventes, na prática desviados para a Grande São Paulo.
Neste núcleo, a investigação conjunta do GAECO e da Receita Federal identificou que são utilizados os mesmos mecanismos de ocultação patrimonial. Além das instituições de pagamento, a movimentação financeira envolvia fundos de investimento, utilizados de forma fraudulenta para dissimulação dos reais beneficiários dos negócios da organização.
Os recursos financeiros obtidos com o esquema eram então remetidos a fundos de investimentos para ocultar os reais beneficiários da fraude. Foram identificados quatro fundos que participavam do esquema e são alvos da operação, juntamente com duas administradoras de recursos e duas gestoras.
Os quatro fundos investigados no esquema de desvio de nafta possuem, atualmente, patrimônio estimado em aproximadamente R$ 205 milhões. Em pouco mais de um ano, houve incremento patrimonial superior a 200% nesse montante, de acordo com MPSP.

Brasil
Brasil
Brasil