Na manhã desta sexta-feira (1º/5), centenas de pessoas participam da tradicional Missa do Trabalhador que, neste ano, comemora seu cinquentenário. A movimentação começou cedo na Praça da Cemig, no Bairro Industrial, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com pessoas de várias categorias profissionais ocupando o espaço da Avenida Cardeal Eugenio Pacelli. Neste dia, a Igreja Católica festeja São José Operário.
Antes da missa, concelebrada por padres das comunidades de fé da Região Episcopal Nossa Senhora Aparecida (Rensa), o bispo auxiliar da Arquidiocese de BH, dom Nivaldo dos Santos Ferreira, destacou palavras para nortear as celebrações do 1° de Maio. "O mundo precisa de paz, de trilhar o caminho de Jesus. Não há paz sem justiça", afirmou.
O fim da escala 6×1, em tramitação no Congresso, recebe o apoio da Igreja. "Somos a favor da dignidade da vida humana, do merecido descanso das pessoas que trabalham. As pessoas não podem ser privadas do contato com a família, portanto, a Igreja Católica está a favor do direito inalienável ao descanso após a jornada de trabalho."
Fé e trabalho
Morador do Bairro Nacional, o metalúrgico Múcio Adelair Fernandes, de 67 anos, contou que participa da Missa do Trabalhador há três décadas. "Sou católico, tenho fé" disse Múcio, casado, orgulhoso dos três filhos e dois netos. Em um acidente de trabalho, ele perdeu os dedos da mão esquerda e manteve a fé em Deus. "Continuei na minha devoção", ressaltou.
Na primeira fila diante do altar, a cozinheira aposentada Maria Domingas dos Santos, de 68 anos, viúva, disse que participa da missa de 1° de Maio há uma década. É muito importante, pois unimos, aqui, fé e trabalho. Sempre lutei muito", contou Maria Domingas, que tem cinco filhos e seis netos.
Um momento de emoção ocorreu, durante a celebração eucarística, com a bênção de carteiras de trabalho e objetos pessoais trazidos pelos devotos – sinal de fé e busca pela proteção e intercessão de São José Operário nas atividades de trabalho realizadas diariamente.
Cinquentenário
Reconhecida como patrimônio imaterial de Contagem, a Missa do Trabalhador comemora nesta manhã o jubileu de 50 anos - o início, em 1976, se deu com o arcebispo dom João Resende Costa (1910-2007). Conforme divulgado pela Arquidiocese de BH, o tema da vez é “Trabalho e dignidade humana: um grito pela paz”.
Padroeiro
Pai adotivo de Jesus e esposo de Maria, São José era carpinteiro. Em 1955, o papa Pio XII (1876-1958) instituiu a comemoração de São José Operário para o mesmo dia em que é celebrada a data civil do Dia do Trabalhador, com o objetivo de dignificar os frutos do esforço humano por meio do trabalho. É do sumo pontífice a frase: “Queremos reafirmar, em forma solene, a dignidade do trabalho, a fim de que inspire na vida social as leis da equitativa repartição de direitos e deveres”.
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