
Quase todos os estados do país registram incidência de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em níveis de alerta, risco ou alto risco, conforme o boletim InfoGripe, divulgado nesta semana pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os dados, referentes ao período de 19 a 25 de abril, mostram um quadro disseminado, com exceção de Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul, que não aparecem nas faixas mais elevadas de risco.
O levantamento aponta que o cenário atual é impulsionado pela circulação de vírus respiratórios sazonais, com destaque para influenza A e vírus sincicial respiratório. Em estados do Centro-Sul, além de áreas do Norte e do Nordeste, os registros de casos graves por influenza A apresentam crescimento. A pesquisadora do InfoGripe Tatiana Portella informa, porém, que, apesar do aumento de casos, "em diversos estados dessas regiões já é possível observar tendência de redução".
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O vírus sincicial respiratório também apresenta expansão "em praticamente todo o país", segundo a pesquisadora, que cita como exceção, apenas, parte da Região Norte. Ela acrescenta que "há sinais de queda em alguns estados, e estabilidade em Goiás, Tocantins e Maranhão".
Entre os estados com aumento de VSR estão Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe. Já Amazonas, Mato Grosso, Rondônia e Roraima apresentam redução do número de casos.
No caso da influenza A, o crescimento é identificado em Acre, Alagoas, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul, Rondônia e Roraima. Em sentido oposto, Amazonas, Amapá, Pará, Tocantins, Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte e Mato Grosso registram queda, enquanto Goiás e Sergipe mostram interrupção do avanço.
O boletim também indica que 13 capitais apresentam níveis elevados de incidência, com crescimento nas últimas seis semanas. Estão nessa condição Belém, Brasília, Campo Grande, Cuiabá, João Pessoa, Maceió, Manaus, Natal, Palmas, Recife, Rio Branco, Teresina e Vitória.
Em 2026, o país soma 1.960 mortes por síndrome respiratória aguda grave. Do total, 852 tiveram confirmação para vírus respiratórios, 880 apresentaram resultado negativo e, ao menos, 50 permanecem em investigação.
Entre os casos com resultado positivo, a influenza A responde por 39,1% das mortes. O Sars-CoV-2 aparece com 27,9%, seguido por rinovírus com 22,2%, vírus sincicial respiratório com 5,8% e influenza B com 3,2%.
A vacinação é apontada como principal forma de prevenção. Tatiana Portella afirma que "a imunização reduz o risco de agravamento e deve ser priorizada pelos grupos mais vulneráveis durante períodos de maior circulação viral". A campanha contra influenza, conduzida pelo Ministério da Saúde, segue até 30 de maio. A orientação é que crianças, idosos e pessoas com comorbidades procurem os postos de saúde.
No caso do vírus sincicial respiratório, a vacina é indicada para gestantes a partir da 28ª semana de gestação, com o objetivo de proteger os bebês nos primeiros meses de vida. O boletim da Fiocruz destaca que o VSR é uma das principais causas de bronquiolite em crianças menores de dois anos.
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