INVESTIGAÇÃO

Ação da PF mira criminosos que enviavam brasileiros ilegalmente aos EUA

Pelo menos 477 brasileiros auxiliados pela quadrilha entraram de forma irregular em território norte-americano em 20 anos. Autoridades notaram aumento de travessias durante a novela "América", em 2005

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (07), uma operação contra uma organização criminosa especializada em enviar brasileiros ilegalmente para os Estados Unidos. A ação ocorre no mesmo momento em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne com o presidente norte-americano, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington.

De acordo com a corporação, são cumpridos dez mandados de busca e apreensão e sete de prisão preventiva em Goiás. No Amapá, está sendo cumprido um mandado de busca e apreensão, além da inclusão dos nomes de dois investigados na lista de Difusão Vermelha da Interpol.

A Polícia Federal informou que as investigações, realizadas principalmente no período de 2018 a 2023, "identificaram indícios de atuação criminosa que remontam meados dos anos 2000, bem como a atuação de cinco organizações criminosas autônomas, com estruturas próprias, porém inseridas em uma mesma dinâmica transnacional voltada à promoção de migração irregular".

Conforme apurado, ficou comprovado que os grupos criminosos foram responsáveis pelo ingresso irregular em território norte-americano de pelo menos 477 brasileiros, podendo ultrapassar 600 vítimas. As autoridades de imigração notaram um aumento expressivo das travessias ilegais durante a exibição da novela "América", que foi ao ar pela TV Globo, em 2005.

Na trama, a protagonista, interpretada pela atriz Deborá Seco, tentou realizar diversas travessias ilegais para os Estados Unidos, difundindo a figura do coiote, criminoso pago para operacionalizar a tentativa de entrada ilegal no país da América do Norte.

As diligências conduzidas pela PF revelaram que os grupos atuavam de forma estruturada, organizando toda a logística da viagem, desde a saída do Brasil por via aérea até a passagem por países da América Central, especialmente México e Panamá, culminando na travessia irregular da fronteira terrestre em direção aos Estados Unidos.

"Além da atuação em Goiás, as organizações criminosas contavam com integrantes em outras unidades da Federação e também no exterior, responsáveis pelo suporte logístico, pela recepção de migrantes e pela intermediação financeira das operações ilícitas", destacam os investigadores. 

Além disso, eram utilizadas empresas de fachada, interposição de pessoas e mecanismos de lavagem de dinheiro, com o objetivo de ocultar e de dissimular a origem ilícita dos valores movimentados. 

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