RIO DE JANEIRO

'Paraíba, filho da…': áudio expõe ataques de Ed Motta a funcionário no Rio

Conversa com insultos e ameaças de Ed Motta entrou na investigação da Polícia Civil; o cantor nega xenofobia e afirma ser neto de baiano e bisneto de cearense

Áudios atribuídos ao cantor Ed Motta passaram a integrar a investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro após confusão envolvendo o artista no restaurante Grado, no Jardim Botânico. Na conversa, enviada ao dono do estabelecimento, o músico aparece dizendo frases como “seu paraíba filho da p…” e “a próxima é tipo pular o balcão e pegar ele”. Divulgado pelo G1, o material passa a ser investigado como injúria por preconceito, conduzido pela 15ª DP da Gávea.

Nas gravações, feitas antes do episódio que terminou em tumulto no restaurante, Ed Motta reclama do atendimento de um barman e faz referências pejorativas à origem nordestina do funcionário. Em um dos trechos, o artista afirma que “na décima vez vai sair porrada”. Em outro, ameaça “pular o balcão” para confrontar o trabalhador.

O caso foi a público após uma noite de discussão no restaurante na Zona Sul do Rio. Segundo depoimentos prestados à polícia, a confusão começou depois da cobrança de taxa de rolha, valor aplicado quando clientes levam bebidas próprias para consumir no local.

De acordo com os responsáveis pelo restaurante, Ed Motta costumava receber cortesia em algumas visitas, mas naquela noite estava acompanhado de um grupo maior. Ao todo, sete garrafas de vinho teriam sido levadas para a mesa e cinco foram consumidas. A conta ultrapassou R$ 7 mil.

Funcionários afirmam que o cantor reagiu de forma agressiva após a cobrança. Câmeras de segurança registraram ele arremessando uma cadeira no salão antes de deixar o restaurante. Um garçom teria sido atingido de raspão durante o episódio.

 

Segundo o barman que denunciou o caso, as ofensas aconteceram diante de clientes e funcionários. Em depoimento, ele afirmou que ouviu frases como “cambada de paraíba” e “vai tomar no c… seu filho da p… paraíba”. O trabalhador disse ainda que já havia sido alvo de xingamentos em outras ocasiões.

Após a saída do cantor, a situação piorou. A polícia investiga agressões físicas envolvendo amigos de Ed Motta e outros clientes do restaurante. Um homem ficou ferido na cabeça depois de ser atingido por uma garrafa de vinho. O advogado Nicholas Guedes Coppi é apontado como um dos envolvidos nessa parte da confusão.

Em depoimento à polícia, Ed Motta negou ter cometido xenofobia e classificou as acusações como “infundadas”. O cantor afirmou que é neto de baiano e bisneto de cearense e declarou possuir “amplo respeito pelos nordestinos”.

O artista também afirmou ter ficado “chateado e desprestigiado” com a cobrança da taxa de rolha e disse que jogou a cadeira no chão “sem intenção de acertar ninguém”. A defesa sustenta que ele já havia deixado o restaurante quando ocorreram as agressões físicas posteriores.

Além dos áudios, investigadores analisam mensagens enviadas pelo cantor após a briga. Em uma delas, ele pede desculpas por ter arremessado a cadeira, mas volta a criticar o atendimento do restaurante e chama o funcionário de “babaca”.

A Polícia Civil segue ouvindo testemunhas e reunindo imagens das câmeras de segurança para concluir o inquérito. O caso é investigado como injúria por preconceito, crime previsto na Lei 7.716/89 e que pode levar a pena de prisão.

*Estagiária sob supervisão de Paulo Floro.

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